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Salvini constrange família tunisiana e é chamado de racista

22/01/2020 14h53

ROMA, 22 JAN (ANSA) - Autoridades políticas e diplomáticas da Tunísia criticaram o ex-ministro do Interior da Itália Matteo Salvini por ele ter constrangido publicamente uma família originária do país africano e residente em Bolonha.   

O episódio ocorreu nesta terça-feira (21), na reta final da campanha para as eleições regionais na Emilia-Romagna, e foi transmitido ao vivo na página do líder de extrema direita no Facebook.   

As imagens foram feitas em um bairro da periferia de Bolonha, onde uma mulher indicara a Salvini o apartamento de uma família tunisiana na qual, segundo ela, pai e filho seriam traficantes de droga.   

O ex-ministro então decide interfonar para a residência e, dizendo ao vivo o nome do suspeito, pede para subir. "Você pode nos deixar entrar, por favor? Porque nos disseram uma coisa desagradável, e eu gostaria que o senhor desmentisse, nos disseram que daí sai uma parte do tráfico de drogas no bairro.   

Certo ou errado?", questionou Salvini.   

Em uma segunda tentativa, ele afirmou: "Eu queria ser recebido por você. Quero reabilitar o bom nome de sua família, porque alguns dizem que você e seu filho traficam". O ex-ministro não foi autorizado a subir. Até o momento, não há notícia de investigações ou ações judiciais contra membros da família. O filho acusado de tráfico, um jovem de 17 anos nascido na Itália, entrou em contato com a advogada e ativista pelos direitos civis Cathy La Torre para se defender na Justiça.   

Em entrevista a uma rádio italiana, o vice-presidente do Parlamento da Tunísia, Oussama Sghaier, afirmou que a postura de Salvini foi "racista e vergonhosa".   

"Salvini é um irresponsável, e não é a primeira vez que ele assume posturas vergonhosas contra a população tunisiana. Ele continua a ser racista e a minar as relações entre a população italiana e a nossa. Os tunisianos pagam impostos na Itália, inclusive aqueles para bancar o salário de Salvini", acrescentou Sghaier - o ex-ministro também é senador da República.   

Já o embaixador tunisiano em Roma, Moez Sinaoui, escreveu à presidente do Senado da Itália, Maria Elisabetta Casellati, para exprimir sua "consternação" com o gesto de Salvini. "É uma provocação deplorável, feita de maneira ilícita e sem respeito pelo domicílio privado de uma família tunisiana, divulgada de maneira ostensiva à opinião pública", disse.   

Segundo o diplomata, o constrangimento pode "estigmatizar de maneira ilegal" os membros da comunidade tunisiana. Já o ex-ministro defendeu sua postura e afirmou apenas ter "acolhido o grito de dor de uma mãe corajosa que perdeu o filho para a droga".   

"Na Emilia-Romagna e em toda a Itália, há imigrantes de bem, que se integraram e respeitam as lei. Mas quem trafica é um problema para todos, seja estrangeiro ou italiano", declarou.   

Em junho de 2018, logo após assumir o Ministério do Interior, Salvini já havia entrado em polêmica com a Tunísia ao dizer que o país "exporta condenados" para a Itália. A nação africana fica a pouco mais de 100 quilômetros do território italiano e é uma das principais rotas de migrantes forçados no Mediterrâneo.   

Salvini está em plena campanha para eleger sua candidata, Lucia Borgonzoni, a governadora da Emilia-Romagna, um histórico feudo da esquerda na Itália. A maioria das pesquisas aponta uma vitória do governador social-democrata Stefano Bonaccini, mas dentro da margem de erro. (ANSA)
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