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Coluna - O Dia da Consciência Rubro-Negra

19/11/2019 16h22

A contagem regressiva está em andamento. Nesse dia de celebração dos 50 anos do milésimo gol de Pelé, o torcedor do Flamengo está de olho no fim de um jejum de 38 anos sem disputar a final da Copa Libertadores, e de outro, de dez anos sem a conquista de um campeonato brasileiro. Não é pouco, muito menos se levarmos em consideração que os dois jejuns podem acabar no próximo fim de semana.

Mas é hora, também, de lembrarmos de como o Flamengo e sua torcida chegaram a essa situação. Não foi de janeiro para cá, quando a atual administração tomou posse. Na verdade, temos de voltar no tempo, ao dia 02 de janeiro de 2013, quando Eduardo Bandeira de Mello assumiu a presidência, decretando que as prioridades seriam a organização administrativa do clube, o pagamento de dívidas e a "limpeza" do nome na praça, deixando de lado a sede de títulos, pelo bem do futuro da instituição.

Foi o Dia da Consciência Rubro-Negra.

E o preço não foi barato. É verdade que logo no primeiro ano a nova administração festejou uma Copa do Brasil. Que não estava nos planos. Mas que acabou sendo o principal título até o fim do segundo mandato, em 2018. Além dela, vieram dois campeonatos estaduais e três vice-campeonatos importantes - na Copa do Brasil e na Copa Sul-Americana de 2017 e no Campeonato Brasileiro de 2018. Como gostavam de dizer os torcedores rivais, ficou "no cheirinho". Mas já era a sinalização de que tempos melhores viriam.

E chegamos a 2019, manchado pelo incêndio no Ninho do Urubu, com dez vítimas fatais. Nos campos, porém, os resultados comprovam o acerto da decisão lá de 2013 e recompensam o sacrifício de quem entrou para a história do clube, se não como grande campeão, mas como um dos melhores administradores. Com erros, é claro, como todos os outros, mas que não pode ser esquecido.

O caminho do Flamengo está sedimentado. Para se confirmar como um dos, se não o principal, clube do país. Ainda distante dos europeus, mas num patamar acima da grande maioria dos clubes brasileiros e sul-americanos. Se os títulos virão, é outra questão, pois o que acontece dentro de campo foge da capacidade dos dirigentes.

De certo que o clube vai se fortalecer. Vai faturar, encher o cofre. Que tal pensar nos garotos que tiveram a vida interrompida no dia 8 de fevereiro? Que tal botar a mão na consciência e fechar o ano com uma chave, não de ouro, mas rubro-negra?

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