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Witzel erra ao comparar segurança do Rio a Paris, Nova York e Madri

do UOL

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

14/11/2019 16h07Atualizada em 15/11/2019 09h49

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), errou ao afirmar que a cidade do Rio de Janeiro é, atualmente, tão segura quando Paris (França), Nova York (EUA) e Madri (Espanha). De acordo com ele, o Rio é a segunda capital mais segura do Brasil.

Segundo Witzel, os índices apontam uma queda no número de mortes no Rio. O governador apontou que, atualmente, o índice é de 16 mortes por 100 mil habitantes, mas lembrou que este número já chegou a 35.

"Se nós olharmos para o resto do mundo, nós estamos no mesmo patamar de Nova York, de Paris e de Madri", afirmou o governador durante o lançamento do Segurança Presente em Caxias, na Baixada Fluminense, sem especificar a que período as taxas de homicídio citadas se referem.

De acordo com dados do Departamento de Polícia de Nova York, em 2019, até o último dia 3, a cidade registrou 269 homicídios. Levando em consideração a população da cidade, estimada em aproximadamente 8,3 milhões de habitantes, chega-se a uma média de 3,2 mortes deste tipo para cada 100 mil habitantes.

A cidade de Madri, por sua vez, registrou 27 homicídios entre janeiro e junho deste ano. O censo realizado no último ano aponta que a cidade tem cerca de 6,5 mihões de moradores. A média para cada 100 mil habitantes, portanto, foi de 0,41 homicídios.

Embora não existam dados concretos quanto aos índices de homicídios em Paris, em 2019, o Índice Global da Paz indica o país europeu na 60ª posição mundial de segurança social. O Brasil desponta na 116ª posição. O ranqueamento leva em consideração os índices de criminalidade e os impactos econômicos decorrentes da violência.

A reportagem do UOL procurou o Palácio Guanabara sobre o contraste dos índices. Por meio de nota, a assessoria de Witzel afirmou que "o governador se referiu às áreas turísticas das cidades do Rio, Nova York e Madrid".

Witzel disse ainda que as áreas turísticas do Rio não são atingidas pela criminalidade. "Nas áreas turísticas do estado não acontecem tiroteios, eles acontecem nas comunidades. Acontecem [nas áreas turísticas] furtos, não tiroteios."

"Tivemos dois turistas que sofreram violência nos últimos dez meses. O que estamos fazendo para estimular o turismo é mostrar que Pão de Açúcar, Corcovado, Petrópolis, estão protegidos, não fazem parte dessa realidade [de tiroteios]", explicou.

O governador ainda fez um apelo ao governo federal para pedir a junção de forças com o objetivo de ajudar no combate à criminalidade. Ontem, Witzel fez duras críticas ao governo Bolsonaro e disse que a "falta de combatividade" da União ao tráfico de armas e drogas gera "guerra insana" nos estados.

"Não é hora de ficar colocando a culpa em A, B, C ou D. É hora de união, é hora de a Polícia Federal ser recomposta, é hora de a Polícia Federal trabalhar em parceria com a Polícia Civil do Rio de Janeiro", afirmou.

"Nós, temos, hoje, o maior departamento de lavagem de dinheiro e a Delegacia de Combate ao Tráfico de Armas, que é a Desarme, mas as armas não entram apenas pelas rodovias estaduais, pela Baía de Guanabara. Entram pelas fronteiras brasileiras e pelos portos brasileiros", completou.

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