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"O senador começou a atirar para todos lados", diz fotógrafo ferido no Haiti

23/09/2019 20h54

Porto Príncipe, 23 set (EFE).- Atingido no queixo por estilhaços de bala decorrentes dos disparos feitos por um político haitiano nesta segunda-feira na porta do Senado do país, o fotojornalista Chery Dieu-Nalio falou sobre o susto que passou e sobre o descontrole do parlamentar no momento do incidente.

Dieu-Nalio, que conversou com a Agência Efe no hospital onde está sendo atendido, explicou que antes do começo de uma sessão no Senado havia uma manifestação em sede à sede do órgão, na qual ativistas, apoiado por senadores opositores, criticavam os parlamentares governistas.

"O senador Jean Marie Ralph Fethière estava saindo do seu carro e os militantes o seguiram. Ele ficou nervoso, entrou no carro, saiu e começou a atirar para todos os lados. Todos os lados. Com uma 9 milímetros", disse o fotojornalista, que trabalha para a agência Associated Press desde 2010.

Os estilhaços ainda estão no queixo de Dieu-Nailo. A operação para retirá-los está marcada para ocorrer na quarta-feira.

"Me disseram que não corre grande risco, mas temem que possa ter uma infecção. Acho que foi estar melhor em breve", afirmou.

Membro do partido governista Tèt Kale, Fethière abriu fogo perto dos jornalistas e dos fotógrafos que iam ao Senado para cobrir a sessão de confirmação do novo primeiro-ministro do país, Fritz William Michel.

Segundo a imprensa local, além do fotógrafo, ficou ferido um segurança do Senado, identificado como León Leblanc. Não há informações sobre seu estado de saúde.

O senador alegou que usou a arma em legítima defesa contra os manifestantes que estavam nos arredores do Senado.

"Fui atacado por indivíduos armados. Tentaram me tirar do me carro. Me defendi. A legítima defesa é um direito sagrado", disse Fethière em entrevista a uma rádio local.

Os protestos ocorreram no dia em que o Senado confirmaria a indicação de Michel para o cargo de primeiro-ministro. Ele foi nomeado no último dia 22 de julho pelo presidente do país, Jovenel Moise. A escolha já passou pela Câmara dos Deputados, mas falta o sinal verde dos senadores para tomar posse. EFE

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