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Fumaça da África chega ao Nordeste e eleva poluição do ar a nível crítico

Fumaça da África chega a capitais do Nordeste como Maceió - Carlos Madeiro/UOL
Fumaça da África chega a capitais do Nordeste como Maceió Imagem: Carlos Madeiro/UOL
do UOL

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

30/08/2019 14h42Atualizada em 03/09/2019 01h20

A fumaça dos incêndios florestais no continente da África chegaram ao Nordeste brasileiro, segundo imagens detectadas no Brasil pelo Lapis (Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite), ligado à Ufal (Universidade Federal de Alagoas). A fumaça causou uma elevação até três vezes maior do que o nível máximo de poluição recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Um mapa produzido às 13h de hoje mostra que a fumaça das queimadas no centro-sul da África cruzou mais de 6.000 km pelo oceano Atlântico até chegar aos litorais de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Segundo informe produzido pelo Lapis, os níveis de poluição registrados já apresentam riscos à população. "Apesar da distância, com a poluição do ar pela fumaça dos incêndios no Congo, a população da costa leste do Nordeste está respirando uma quantidade de material particulado muito acima do recomendado pela OMS. Esse tipo de material corresponde a partículas extremamente finas presentes no ar", diz.

O relatório ainda cita que, entre as capitais, a fumaça tem mais intensidade em Natal, mas também chegam a Maceió, Recife e João Pessoa. "O índice de poluição por esse material particulado está entre 50 e 100 µg/m³", informou o laboratório, citando a unidade de micrograma de poluição por metro cúbico de ar.

Informe do Lapis mostra fumaça de incêndios na África chegando ao Nordeste brasileiro - Lapis/Divulgação
Informe do Lapis mostra fumaça de incêndios na África chegando ao Nordeste brasileiro
Imagem: Lapis/Divulgação

Para efeito de comparação, o último relatório da análise da qualidade do ar da OMS apontou o Rio de Janeiro como a cidade com ar mais poluído do país, com 64 ug/m³. "Atualmente, a OMS recomenda que as emissões desse poluente não ultrapassem o limite 25 µg/m³ por dia para manter a qualidade do ar em condições que evitem riscos à saúde humana", explica o coordenador do Lapis, Humberto Barbosa.

Barbosa explica que 33 µg/m³ equivalem à espessura de um fio de cabelo. "1 µg/m³ equivale a 0,000001 grama. Por isso são facilmente espalhadas", explica.

Ele diz que os níveis altos de poluição medidos são capazes de causar problemas de saúde respiratórios e cardiovasculares, além de dor de cabeça.

O coordenador diz que os moradores das cidades atingidas devem perceber mudança no ar com mais facilidade ao fim da tarde. "Se o céu estiver limpo e o ar mais seco, será mais perceptível por volta das 17h."

Os incêndios florestais ocorrem na África Central e se espalharam por Angola, República Democrática do Congo, Moçambique e Madagascar. Em 24 de agosto, um satélite da Nasa (agência espacial norte-americana) teria detectado 6.902 incêndios em Angola e 3.395 no Congo. Semelhantes às chamas na Amazônia, os incêndios também causaram protestos em todo o mundo.

Medição da poluição (em µg/m³) às 13h de hoje:

  • Natal - 105
  • Recife - 99
  • Maceió - 98
  • João Pessoa - 97

Fonte: Lapis

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do publicado, um micrograma equivale a 0,000001 grama, e não 0,0000000001 grama. A informação foi corrigida.

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