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Sírio é condenado por homicídio que gerou onda de protestos no leste alemão

22/08/2019 14h42

Justiça sentenciou requerente de asilo de 23 anos a nove anos e meio de prisão por cumplicidade no assassinato de um cidadão alemão em 2018. Crime provocou uma série de manifestações xenófobas na cidade de Chemnitz.Um tribunal em Dresden, no leste da Alemanha, considerou nesta quinta-feira (22/08) o sírio Alaa Sheikhi, de 23 anos, culpado de cumplicidade no assassinato do alemão Daniel Hillig, de 35 anos. A sentença é de nove anos e meio de prisão.

O crime ocorreu em Chemnitz em 26 agosto de 2018, depois de uma briga cujos motivos não puderam ser esclarecidos e logo provocou uma onda de manifestações de grupos de extrema direita na cidade. Alguns atos acabaram em confusão e violência..

O principal suspeito de ter cometido o crime, um iraquiano de 22 anos, ainda está foragido. A imprensa alemã aponta que ele voltou ao seu país natal.

O sírio Alaa Sheikhi chegou à Alemanha em 2015, junto com centenas de milhares de refugiados, quando a chanceler federal alemã, Angela Merkel, decidiu abrir as fronteiras do país para centenas de milhares de pessoas que fugiam de guerras no Oriente Médio.

O julgamento, ocorrido em Dresden por motivos de segurança, revelou, entretanto, várias falhas no trabalho de investigação. Não foram achados, por exemplo, vestígios de DNA do acusado nem na faca nem na vítima.

A principal testemunha do crime, um comerciante libanês, se contradisse em suas descrições do ocorrido.

Os advogados de defesa pediram que seu cliente fosse absolvido por falta de provas. Após o veredicto, ele anunciaram intenção de entrar com recurso e acusaram o tribunal de ser influenciado pelo debate político sobre o caso.

O julgamento ocorre menos de duas semanas antes das eleições regionais no Estado da Saxônia, onde ficam Dresden e Chemnitz. O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que explorou o crime politicamente, aparece em segundo lugar nas pesquisas, pouco atrás da União Democrata-Cristã (CDU) da chanceler federal Angela Merkel, que comanda a coalizão do governo local.

No final de agosto de 2018, o crime motivou uma série de protestos contra estrangeiros que atraíram milhares de pessoas, sendo grande parte apoiadores da AfD e do movimento Pegida (sigla em alemão para "Patriotas europeus contra a islamização do Ocidente").

O fato de suspeitos pelo crime serem estrangeiros acirrou os ânimos na cidade e teriam levado extremistas a perseguirem e atacarem pessoas que aparentavam ser estrangeiras durante os protestos.

MD/afp/ap/dpa

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