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Prêmio para cacau pode estimular produção mas esfriar demanda

Isis Almeida e Ekow Dontoh

16/07/2019 14h07

(Bloomberg) -- Os dois maiores produtores de cacau do mundo decidiram inovar para exercer mais controle sobre o mercado e ajudar os agricultores. O problema é que o efeito pode ser exatamente o oposto.

A Costa do Marfim e Gana planejam acrescentar um prêmio de US$ 400 por tonelada às vendas de cacau. Embora a medida possa estimular a produção, os preços mais altos podem esfriar o consumo. Segundo traders e analistas, isso levaria o setor a um cenário perigoso de expansão e retração.

"Apesar de parecer justo para os agricultores, há consequências não desejadas", disse Marcelo Dorea, operador sênior de commodities da firma de investimentos First New York e veterano do setor. A medida tem "o potencial de, ao longo do tempo, levar a superávits sequenciais e estruturais e, inevitavelmente, a preços futuros mais baixos".

A medida terá impacto na temporada 2020-2021, que começa em 1º de outubro, apenas algumas semanas antes das eleições na Costa do Marfim e alguns meses antes dos cidadãos irem às urnas em Gana, potencialmente ajudando os governos a obter votos. Os dois países respondem por mais de 60% da oferta global de cacau.

Os agricultores da Costa do Marfim e Gana provavelmente colherão alguns benefícios, já que a produção de outros países não é suficiente para abastecer o setor de chocolate. Mas, ao mesmo tempo, os clientes ficarão encurralados. O impasse pode significar que os maiores produtores não venderão contratos futuros para hedge, abrindo as portas para os preços subirem em um mercado onde especuladores já possuem grandes posições apostando na alta.

Repórteres da matéria original: Isis Almeida em Londres, ialmeida3@bloomberg.net;Ekow Dontoh em Acra, edontoh@bloomberg.net

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