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França expõe obras tomadas do Benin durante período colonial antes de restituição

26/10/2021 10h59

O museu do Quai Branly-Jacques Chirac, em Paris, expõe, a partir desta terça-feira (26), obras de sua coleção que serão restituídas no próximo mês ao Benin. Essa será a primeira leva de objetos artísticos a serem devolvidos pela França à África desde que o presidente Emmanuel Macron anunciou a iniciativa, em 2017. 

O museu do Quai Branly-Jacques Chirac, em Paris, expõe, a partir desta terça-feira (26), obras de sua coleção que serão restituídas no próximo mês ao Benin. Essa será a primeira leva de objetos artísticos a serem devolvidos pela França à África desde que o presidente Emmanuel Macron anunciou a iniciativa, em 2017. 

As 26 obras que serão restituídas são originárias do antigo reino de Abomey, que hoje faz parte do território do Benin. Elas foram tomadas em 1892, em plena guerra colonial, pelas tropas de um general francês. Entre as peças, estão três estátuas da realeza, três tronos e quatro portas de madeira vindas do palácio real. 

Integradas às coleções de arte francesas em 1893, elas têm um imenso valor para os beninenses. "A população inteira espera a chegada dessas obras. É a nossa cultura, nosso patrimônio. Esses objetos que estiveram foram de nosso país durante décadas e estão voltando para cá suscitam uma forte emoção", afirma à Franceinfo Bertin Calixte Biah, curador do Museu de História de Ouidah, no Benin. 

Dois curadores beninenses estão na França há uma semana para organizar o retorno dos objetos. No Benin, elas serão inicialmente estocadas para depois serem expostas de maneira perene em dois locais históricos da colonização europeia: o antigo forte português de Ouidah e a Casa do Governador. Quando a construção do museu Abomey estiver finalizada, os tesouros farão parte de sua exposição permanente. 

Emmanuel Macron presidirá na quarta-feira (27) a cerimônia de restituição das 26 obras do reino de Abomey. Antes de retornarem ao Benin, no próximo 9 de novembro, elas integram uma exibição especial no museu do Quai Branly-Jacques Chirac, em Paris. 

Outros seis países aguardam restituições de obras

Segundo especialistas, entre 85% a 90% do patrimônio artístico e cultural africano estão fora do continente. Desde 2019, além do Benin, outros seis países - Senegal, Costa do Marfim, Etiópia, Chade, Mali e Madagascar - deram entrada em procedimento de restituições. 

Apenas na França, ao menos 90 mil objetos de arte originários da África Subsaariana fazem parte das coleções públicas atualmente. O museu do Quai Branly-Jacques Chirac detém a maioria destas obras, cerca de 70 mil, entre elas 46 mil tomadas durante o período colonial. 

Em comunicado, o Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa, afirmou que a iniciativa tem o objetivo que "a juventude africana tenha acesso na África, e não apenas na Europa, a seu próprio patrimônio". "Esse engajamento do presidente constitui uma atitude importante para a construção desta nova relação e de um novo olhar entre a França e o continente africano", diz a nota. 

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