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1 mês

Parlamento da Tunísia diz que ações de presidente são 'nulas'

26/07/2021 13h44

TÚNIS, 26 JUL (ANSA) - O Parlamento da Tunísia afirmou nesta segunda-feira (26) que a decisão do presidente Kais Saied de destituir o primeiro-ministro Hichem Mechichi e suspender o Legislativo por 30 dias é "nula".   

Por meio de uma nota, o gabinete da presidência do Parlamento disse que as medidas anunciadas por Saied "contrariam a Constituição". Além disso, convida as "forças de ordem e o Exército a ficarem ao lado do povo tunisiano e do Estado de direito".   

O Parlamento é chefiado por Rached Ghannouchi, líder do partido islamita Ennahda, dono da maior bancada no Legislativo e alvo dos manifestantes que saíram às ruas no último domingo (25) para protestar contra a classe política.   

Além de destituir o premiê e suspender o Parlamento, Saied demitiu os ministros Brahim Berteji (Defesa) e Hasna Ben Slimane (Justiça), prometeu revogar a imunidade dos deputados e determinou o fechamento da sede local da emissora catariana Al Jazeera.   

O presidente se apoia no artigo 80 da Constituição, que permite a suspensão do Parlamento em "caso de perigo iminente às instituições e à segurança do país", desde que comunique antes o primeiro-ministro e os presidentes do Legislativo e da Corte Constitucional, tribunal que ainda não foi instituído formalmente.   

O serviço de ação externa da União Europeia pediu a "todos os atores que respeitem a Constituição e o Estado de direito" e cobrou a "manutenção da calma".   

Primavera - Saied é apenas o segundo presidente eleito por voto universal na Tunísia, caso único de democracia - ainda que frágil e incipiente - entre os países que protagonizaram a Primavera Árabe.   

A onda de revoltas contra o autoritarismo e a pobreza no norte da África e no Oriente Médio começou justamente na Tunísia, em 17 de dezembro de 2010, quando o verdureiro Mohamed Bouazizi ateou fogo no próprio corpo para protestar contra a falta de trabalho e os abusos da polícia.   

Desde então, alguns países da Primavera Árabe, como Síria e Iêmen, continuam afundados em guerras, enquanto outros, como o Egito, voltaram a ter governos autoritários.   

Apesar de ter iniciado um percurso democrático, a Tunísia conviveu na última década com uma perene instabilidade política, que sempre bloqueou esforços para relançar a economia e fazer as reformas pedidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).   

A fragmentada classe política jamais foi capaz de formar governos duradouros e eficazes, culminando na ruptura entre Saied e Mechichi. (ANSA).   

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