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Luto e debate sobre porte de armas na Rússia após massacre em escola

Luto e debate sobre porte de armas na Rússia após massacre em escola - REUTERS/Artem Dergunov
Luto e debate sobre porte de armas na Rússia após massacre em escola Imagem: REUTERS/Artem Dergunov

12/05/2021 13h07

A República do Tartaristão, membro da Federação da Rússia, enterrou nesta quarta-feira (12) os sete jovens e dois adultos mortos a tiros em uma escola por um adolescente, uma tragédia que alimentou o debate sobre o porte de armas e o uso da Internet na Rússia.

No cemitério de Kazan, parentes e alunos da professora de inglês Elvira Ignatieva, que protegeu com o próprio corpo um de seus alunos, compareceram ao funeral, no qual foi lido o Alcorão.

"Minha sobrinha foi como uma estrela cadente: subiu ao céu, iluminou-se e desapareceu", disse à AFP Anna Ignatieva, tia da professora da Escola nº 175 de Kazan, onde a tragédia ocorreu na terça-feira.

"Ela levou a primeira bala, na cabeça. Ela não se escondeu, ela queria protegê-los", acrescentou seu tio, Talgat Gumerov.

Todas as vítimas foram enterradas, explicou um porta-voz do presidente do Tartaristão, Rustam Minnijanov.

Durante o dia, centenas de flores, brinquedos e velas foram deixados na escola. As bandeiras de vários edifícios públicos tremulavam a meio mastro.

Ex-aluno que não era agressivo

Ilnaz Galiaviev, de 19 anos, invadiu na terça a escola, da qual era ex-aluno, armado com um rifle e abriu fogo.

Os jovens assassinados tinham entre 13 e 14 anos e eram da mesma classe.

Alguns alunos que pularam das janelas do terceiro andar para escapar do atirador estão feridos.

No total, 20 menores e três adultos estão hospitalizados, alguns deles em estado grave.

Ilnaz Galiaviev foi detido pela polícia e colocado em prisão provisória por dois meses nesta quarta.

Ele ouviu a decisão do tribunal com calma, sem responder às perguntas da imprensa, antes de ser retirado do tribunal, observou um jornalista da AFP no local.

Um vídeo transmitido nas redes sociais e na televisão russa mostrou o atirador ensanguentado e sem camisa deitado em uma cela, alegando ter premeditado seu ato, porque "odeia todos" e dizendo que era "Deus".

O agressor havia deixado a escola há quatro anos para estudar ciência da computação, mas foi forçado a abandonar os estudos no mês passado.

Segundo o centro onde estudava, é uma "pessoa calma e não era agressivo".

As autoridades informaram que ele havia obtido legalmente sua arma, com o certificado de aptidão mental exigido por lei.

De acordo com a imprensa local, o agressor relatou suas intenções em uma conta no aplicativo de mensagens Telegram, em uma conta chamada "Deus".

O Telegram bloqueou "rapidamente" a conta do atacante, apenas uma hora após as primeiras solicitações nesse sentido, explicou o cofundador da plataforma, Pavel Durov.

O presidente da Câmara dos Deputados, Viacheslav Volodin, denunciou "o anonimato da Internet" e pediu medidas para combater a difusão de "mensagens violentas que exaltam o extremismo".

Foi o tiroteio mais grave em uma escola russa desde 2018, onde esse tipo de tragédia é relativamente raro e onde o controle de armas é estrito.

Incidentes violentos envolvendo estudantes têm aumentado, porém, nos últimos anos.

Na terça-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou uma revisão das regras de autorização de armas para endurecê-las.

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