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Acordo pós-Brexit é possível nos próximos dias, afirma chanceler irlandês

03/12/2020 08h59

Dublin, 3 dez 2020 (AFP) - O ministro irlandês das Relações Exteriores, Simon Coveney, afirmou nesta quinta-feira que o Reino Unido e a União Europeia (UE) podem alcançar um acordo nos próximos dias sobre a relação comercial pós-Brexit, caso os europeus mantenham a "calma".

O Reino Unido abandonou oficialmente a UE em 31 de janeiro e está em um período de transição que termina em 31 de dezembro, o que dá aos dois lados um tempo muito curto para um um acordo sobre a futura relação, caso desejem evitar uma ruptura brutal de consequências caóticas.

O cenário, de acordo com fontes europeias, cria tensões entre os países membros do bloco sobre as concessões que devem ser feitas a Londres.

"Este é o momento de manter a calma", declarou Coveney à rádio irlandesa Newstalk, antes de destacar que os 27 devem confiar em seu negociador chefe, o francês Michel Barnier.

"Acredito que se fizermos isto, há uma boa possibilidade de que possamos chegar a um acordo nos próximos dias", completou.

Sem um acordo, a partir de 1 de janeiro as relações comerciais entre as duas margens do Canal da Mancha passariam a ser administradas pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), o que implica tarifas e cotas alfandegárias que representariam um novo golpe às economias já enfraquecidas pela pandemia de coronavírus.

Para que os Parlamentos britânico e europeu tenham tempo de ratificar um tratado, as negociações devem ser concluíras nos próximos dias.

"Não é nenhum segredo que o tempo está acabando", disse Coveney, que nesta quinta-feira estava em Paris para "trocar opiniões sobre o Brexit" com autoridades do governo francês.

E ele destacou que, se um acordo não for alcançado, não haverá "novas prorrogações ou tempo adicional" após 1º de janeiro.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, se declarou "otimista" sobre o resultado das negociações, mas está disposto a aceitar uma ruptura sem acordo em caso de fracasso das conversações, afirmou na quarta-feira um porta-voz de Downing Street.

jts-acc7bl/fp

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