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América Latina, centro dos protestos contra a violência dirigida às mulheres

25/11/2020 21h06

Santiago, 26 Nov 2020 (AFP) - A América Latina se tornou nesta quarta-feira (25) o epicentro dos atos de protesto pelo Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher com mobilizações em vários países da região.

Em cidades como Bogotá, Buenos Aires, La Paz e Montevidéu, manifestantes se reuniram para condenar a discriminação de gênero e exigir leis contra os crimes machistas e a favor da descriminalização do aborto.

A uma situação já ruim, somaram-se este ano quarentenas impostas em muitos países para combater a pandemia da covid-19.

Segundo dados da ONU Mulheres publicados no final de setembro, o confinamento levou a um aumento de denúncias ou ligações às autoridades por causa da violência doméstica, de 25% na Argentina, 30% em Chipre, 33% em Cingapura e 30% na França.

Antes do aparecimento da covid-19, "em todo o mundo 243 milhões de mulheres e meninas foram maltratadas por seus parceiros no ano passado", disse a agência das Nações Unidas.

"A pandemia intensificou a violência, que se agravou com a redução dos serviços de apoio e do acesso à ajuda", acrescentou.

Na Argentina, onde se esperava uma grande mobilização, a pandemia também exacerbou a violência machista, deixando 184 feminicídios desde 20 de março (265 desde janeiro), segundo o Observatório da organização feminista Marea.

A Defensoria do Público da Argentina aproveitou a data para apresentar um guia de recomendações "para prevenir a violência política por razão de gênero nos meios" de comunicação.

Identificada com o já emblemático lenço verde, uma das principais exigências dos coletivos feministas argentinos é o debate imediato do projeto de lei para a legalização do aborto, que o presidente Alberto Fernández enviou uma semana atrás ao Congresso argentino.

No vizinho Uruguai, houve marchas feministas em várias regiões do país. Um grupo de manifestantes, caracterizadas como as protagonistas do livro "O Conto da Aia", uma história distópica na qual as mulheres são escravizadas, realizou uma intervenção em frente à sede da Presidência, em Montevidéu.

- "Muitos riscos" -Dezenas de mulheres participaram de mobilizações convocadas nas cidades colombianas de Bogotá e Medellín.

"Em um momento em que nós, mulheres, estamos correndo muitos riscos neste país, a começar pela violência, o machismo aumentou nos lares com a quarentena", disse à AFP Valeria Bonilla, uma mulher trans que participou de uma marcha na capital colombiana.

Em Tegucigalpa, dezenas de dirigentes de organizações feministas hondurenhas denunciaram em uma manifestação o aumento da violência machista durante o confinamento.

E na Bolívia, milhares de mulheres foram às ruas de todo o país para exigir justiça aos 104 feminicídios registrados este ano.

Em uma concentração maciça em La Paz, a coordenadora residente da ONU no país, Susana Sottoli, disse que "a Bolívia é, na região, um dos países que tem mais feminicídios" e afirmou que isso é "inaceitável".

- "Dívida histórica" -No México, onde as manifestações feministas se multiplicaram no ano passado, autoridades e cidadãos ergueram barreiras de proteção nas vias que vão seguir para evitar o vandalismo.

No país norte-americano, a violência de gênero mata cerca de 3.800 mulheres a cada ano, reconheceu o governo mexicano nesta quarta-feira, exigindo uma mudança cultural que elimine o machismo e o patriarcado.

"Temos uma dívida histórica com as mulheres, especialmente com as vítimas de violência, e não podemos permitir a impunidade", disse a secretária de Governo, Olga Sánchez, durante a coletiva de imprensa matinal do presidente Manuel Andrés López Obrador.

De acordo com dados estatais do Instituto Nacional de Estatística citados por Sánchez, na última década seis em cada dez mulheres sofreram algum tipo de agressão no México.

As estatísticas também mostram que uma média diária de 32 meninas com idades entre 10 e 14 anos tornam-se mães por causa do abuso sexual e uma em cada quatro sofreu violência no ambiente escolar.

No Chile, esperavam-se concentrações maciças. O presidente Sebastián Piñera condenou o aumento do "flagelo" da violência machista em um ato no Palácio de La Moneda para comemorar a data.

Grupos feministas chilenos contabilizam em 44 os feminicídios cometidos no país em 2020.

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