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Oposição convoca greve geral em Belarus para forçar renuncia de Lukashenko

26/10/2020 11h18

O início da paralisação acontece um dia após mais uma mega manifestação em Minsk contra a reeleição contestada do chefe de Estado bielorrusso. Mais de 100.000 pessoas protestaram nesse domingo (25) na capital Minsk, no último dia do ultimato estabelecido pelos opositores para a renúncia do presidente Alexander Lukashenko, antes da greve geral.

O início da paralisação acontece um dia após mais uma mega manifestação em Minsk contra a reeleição contestada do chefe de Estado bielorrusso. Mais de 100.000 pessoas protestaram nesse domingo (25) na capital Minsk, no último dia do ultimato estabelecido pelos opositores para a renúncia do presidente Alexander Lukashenko, antes da greve geral.

O movimento é liderado por Svetlana Tikhanovskaia que, do exílio na Lituânia, aposta todas suas fichas ao convocar seus partidários a paralisar o país a partir desta segunda-feira (26), escreve o jornal francês Libération.

"Os funcionários de empresas e fábricas estatais, os trabalhadores do setor dos transportes, os mineiros, professores e estudantes começaram a cruzar os braços hoje", afirmou a opositora em uma mensagem no Telegram. Dezenas de estudantes se reuniram nesta manhã diante das universidades.

O protesto no setor estatal visa pressionar economicamente o regime, e no setor privado mostrar solidariedade ao movimento de contestação contra Lukashenko, explicou Tikhanovskaia. O presidente, está no poder desde 1994 e seu governo controla boa parte da economia do país.

Décima primeira manifestação

Esse foi o 11° domingo de protestos desde a reeleição contestada de Lukashenko em 9 de agosto. E o dia foi especial, diz a enviada do jornal progressista francês a Belarus. A multidão, que contava até com manifestantes militares, foi a mais densa desde o início das manifestações. Como nas outras vezes, o protesto foi disperso no início da noite por granadas e balas de borracha lançadas pela polícia.

Os participantes, como o jovem de 20 anos, Vladislav, citado por Libé, já sabiam que o ultimato não funcionaria. Esta era uma evidência inclusive para a líder da oposição Svetlana Tikhanovskaia.

Entrevistada pelo jornal, a opositora analisa que Luckashenko vai tentar se manter no poder a qualquer custo e não partirá espontaneamente. "Eu lancei o ultimato porque queria mostrar que não somos um pequeno grupo de manifestantes como eles mostram na televisão. Nós somos a maioria, queremos mobilizar ainda mais pessoas contra esse regime e vamos continuar protestando", indicou a líder da oposição bielorrussa.

Ampliar a base do movimento

Libération explica que este é o grande desafio da revolução pacífica em curso em Belarus: ampliar sua base e contar com uma participação crescente de novo manifestantes. Como Yuliana, 33 anos, que participou do protesto pela primeira vez nesse domingo. Ela disse que não integrou o movimento antes porque tinha medo de ser detida, mas resolveu vencer o medo por causa do ultimato, na esperança de que ele mude alguma coisa.

Lukashenko chegou a organizar uma contramanifestação, mas alertado por seus conselheiros, cancelou o evento que poderia dar ainda mais importância à oposição. A repressão do regime contra qualquer dissidência continua. Os integrantes do Conselho de Coordenação, criado por Tikhanovskaia para organizar a transição democrática, ou estão no exílio ou presos. Na verdade, o diálogo entre a oposição e o regime nunca foi iniciado. Por isso, a líder da oposição faz a aposta arriscada de convocar uma greve geral, na opinião de Libération.

Uma primeira paralisação convocada em agosto fracassou. Tikhnovskaia tem consciência que essa nova greve não será nada fácil, principalmente porque ela tem que vencer a propaganda de Estado. Nas regiões rurais de Belarus, muita gente se informa unicamente pela televisão estatal e ainda apoia o presidente.

É difícil estimar claramente a popularidade de Lukashenko, uma vez que as eleições são fraudadas e as pesquisas de opinião um privilégio do Estado, aponta o jornal francês.  Mas, após anos de indiferença, as discussões políticas entre gerações se animaram, se polarizaram, avós brigaram com netos e amigos não se falam mais. Para Libération, isso é um sinal de que a democracia não está longe em Belarus.

 

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