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Por que o coronavírus está matando tantos profissionais de saúde no México

06/08/2020 13h33

Por Diego Oré

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - Quando a epidemia de coronavírus começou a se intensificar no México, no fim de março, o médico José García disse que seus chefes em um hospital público na Cidade do México rejeitaram seu pedido por máscaras, luvas e desinfetantes.

Argumentaram que aquele equipamento de proteção era necessário apenas para quem estava trabalhando diretamente com pacientes de coronavírus, disse García. Sem se convencer, ele comprou do próprio bolso.

A direção do hospital contesta, dizendo que todos os funcionários receberam equipamentos de proteção. De qualquer maneira, García já havia contraído o vírus e infectado sua mulher e a filha de 1 ano.

García é um dos mais de 70.000 profissionais de saúde que contraíram coronavírus no México, onde o total de mortes da pandemia é o terceiro do mundo, atrás de Estados Unidos e Brasil.

Dados do governo indicam que o risco de morte para profissionais de saúde é quatro vezes maior que nos Estados Unidos e oito vezes maior que no Brasil.

“O coronavírus atingiu profissionais de saúde no mundo inteiro, mas foi especialmente ruim no México”, disse Alejandro Macias, epidemiologista que liderou a resposta do México à pandemia de gripe suína, em 2009.

Os funcionários tiveram que comprar os próprios equipamentos em mercados informais e de qualidade inferior, disse Macias.

O governo disse que houve escassez em equipamentos no começo, mas que trabalhou duro para proteger os trabalhadores e que trouxe equipamentos vitais da China e dos Estados Unidos. Também acusou administrações passadas de permitir que o serviço de saúde se deteriorasse.

O vice-ministro da Saúde do México e autoridade liderando a resposta ao coronavírus, Hugo López-Gatell, disse em julho que muitos enfermeiros e médicos que morreram por causa do vírus tinham pré-condições e que alguns não usaram o equipamento de proteção de “modo ideal”.

No México, 19% das infecções confirmadas são de profissionais de saúde, quase três vezes mais do que a média mundial, segundo números do Conselho Internacional de Enfermeiros e da Associação Nacional Mexicana de Médicos e Enfermeiros.

A situação dos profissionais de saúde está complicando os esforços para conter o surto, que matou perto de 50.000 pessoas no México. Em 24 de julho, 72.980 profissionais de saúde mexicanos haviam contraído o vírus, e 978 morreram, segundo dados do governo.

Nos Estados Unidos, que têm população 2,5 vezes maior que a do México, 123.738 profissionais de saúde testaram positivo para o coronavírus e 598 morreram, segundo os últimos números do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês).

O Ministério da Saúde do Brasil, com população aproximadamente dois terços maior que a do México, relatou 189 mortes de profissionais de saúde até o fim de julho. Alguns dados privados do Brasil mostram números maiores, mas ainda muito inferiores aos do México.

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