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Nova onda de calor na França terá picos acima de 40° e seca histórica , no ano mais quente desde 1900

06/08/2020 12h05

Um novo episódio de fortes ondas de calor começa na França nesta quinta-feira (6) e deve durar cerca de uma semana, com noites cada vez mais quentes, especialmente em áreas muito urbanas, segundo François Jobard , meteorologista do site Météo France. Mas não são apenas os parisienses e os parcos turistas desta estação pós-pandemia que se preparam para esta semana de intenso calor: devido às mudanças climáticas, a França vem sofrendo cada vez mais com a seca, que vem ameaçando a autonomia agrícola do país.

Segundo o meteorologista François Jobard, entrevistado pelo site France Info, a onda de calor pode variar dependendo da região. "Para os parâmetros franceses, entramos em uma onda de calor bastante significativa, pois durará cerca de uma semana, entre 6 e 8 dias. Em muitas cidades, excederemos os 35 graus por vários dias, o que não é tão frequente, especialmente na parte central da França", diz o especialista.

Ainda segundo Jobart, o fenômeno não é visto "desde 2003", quando a França sofreu uma onda de calor que deixou mais de 15.000 mortos. "Em áreas muito urbanas, teremos fenômenos de acumulação de calor, dando origem a noites cada vez mais quentes, com temperaturas mínimas altas, cada noite um pouco mais quente que a anterior, principalmente em zonas muito urbanas, teremos um forte cansaço que será sentido pelas pessoas", avisou.

Ano mais quente desde 1900

Outra particularidade é que 2020 será, segundo especialistas, o ano mais quente em mais de dois séculos, ou seja, desde 1900. A França sofreu este ano com uma seca meteorológica excepcional em julho: os índices nacionais indicam que, desde 1959, não havia um mês tão seco de julho no verão francês. Passagens chuvosas eram extremamente raras ou mesmo inexistentes no país, e tempestades se faziam raras.

"Em partes do norte e nordeste da França, a primavera também era particularmente seca. Tudo isso significa que chegamos, no início dessa onda de calor, com solos extremamente secos em alguns locais, perto de recordes baixos para o período", analisa Joubart a France Info.

Mudanças climáticas são "uma certeza"

Para Robert Vautard, diretor do Instituto de Ciências Pierre-Simon-Laplace para o clima, "as temperaturas mais altas aumentam há várias décadas e temos certeza de que é devido às mudanças climáticas", explicou ele nesta quinta-feira (6).

Segundo Vautard, o desafio hoje é tomar medidas para conseguir limitar o aquecimento global a longo prazo: "As ações que estamos tomando hoje para reduzir as mudanças climáticas terão um efeito muito claro além disso. a partir de 2050", analisa.

O especialista relata que temperaturas como 35°C, nas décadas anteriores, aconteciam cerca de dez dias por ano na França. "Hoje, já estamos 30 ou 40 dias por ano acima de 35°C", lembra Vautard. "Em meados do século 21, espera-se que as temperaturas de 40°C sejam ultrapassadas quase todos os anos na França. Então, estamos caminhando para temperaturas muito altas, com secas cada vez mais acentuadas", adverte o pesquisador.

Para ele, as ondas de calor na França são o principal marcador das mudanças climáticas. "Nós vemos isso, sentimos isso todo verão agora desde 2004. Essas ondas de calor nos mostram o quão vulneráveis ??nossas sociedades são às mudanças climáticas. Podemos ver os problemas de seca que estão ocorrendo neste ano e o grau de urgência no combate a essa mudança climática, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa", analisa.

O perigo do degelo marinho

Vautard cita ainda outros sinais climáticos preocupantes em todo o mundo em 2020. "Vimos um novo fenômeno na Sibéria com temperaturas extremas. Também tivemos um episódio no Ártico em julho, com temperaturas atingindo mais de 20°C. Isso está causando uma série de consequências, em particular o derretimento do gelo do mare, disse. "Este ano, vimos uma diminuição recorde no gelo do mar no Ártico. Estamos superando o recorde de 2012. E isso tem o efeito de acelerar ainda mais as mudanças climáticas, já que os blocos de gelo refletem a radiação solar e permitem que a Terra aqueça um pouco menos", conclui o especialista.

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