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Vírus avança nos EUA e titãs de private equity olham para Europa

Benjamin Robertson

16/07/2020 14h28

(Bloomberg) -- Os Estados Unidos não são mais o centro do universo de private equity.

Empresas anunciaram US$ 143 bilhões em acordos fora dos EUA no primeiro semestre, ou quase 60% do total mundial, segundo dados compilados pela Bloomberg. A proporção está a caminho de ser a maior para o ano inteiro em quase duas décadas. E, pela primeira vez desde 2003, nenhum alvo dos EUA estava entre as cinco maiores transações.

Como os EUA enfrentam a pandemia que ainda infecta milhares de pessoas diariamente, empresas de private equity têm demorado mais para fechar negócios, pois investidores não podem se encontrar pessoalmente e as empresas continuam hibernando. Enquanto isso, um relativo vencedor está emergindo da crise: cerca da metade da atividade fora dos EUA deste ano veio da Europa.

"Isso aponta para a tendência de longo prazo de grandes negócios fora dos EUA à medida que os mercados internacionais amadurecem", disse Scott Moeller, diretor do Centro de Pesquisa de Fusões e Aquisições da City, University of London. "Também parece que a Covid-19 está atingindo os EUA com mais força, o que afeta a capacidade de fazer negócios, apesar das grandes quantias disponíveis para os fundos de private equity."

O setor de private equity começou 2020 com mais dinheiro disponível do que nunca, de acordo com o provedor de dados Preqin, e as reservas subiram para quase US$ 1,5 trilhão em 30 de junho com a desaceleração das transações. A captação de recursos também caiu no segundo trimestre, porque as medidas de isolamento social mantiveram investidores em casa.

A mudança do primeiro semestre mostra a natureza cada vez mais global do private equity, mesmo quando os EUA ainda respondem pela maior parte das transações. A atividade na Europa foi impulsionada pelo maior acordo do setor anunciado neste ano: a aquisição de 17,2 bilhões de euros (US$ 19,7 bilhões) da unidade de elevadores da Thyssenkrupp, com sede na Alemanha, e um consórcio liderado pela Advent International e Cinven.

À medida que as economias europeias emergem das quarentenas, negociadores procuram mais empresas que queiram vender unidades durante o segundo semestre. A divisão de chá da Unilever está à espera de ofertas com Advent, Bain Capital e Blackstone entre possíveis pretendentes, informou a Bloomberg em junho. Um consórcio de private equity está entre os candidatos finais à unidade de classificados do EBay, disseram pessoas com conhecimento do assunto.

A gigante de cervejas Molson Coors Beverage estuda vender cerca de 3 bilhões de euros em ativos europeus, em um acordo que poderia atrair interesse de investidores de private equity, segundo pessoas com conhecimento do assunto. Um representante da Molson Coors não comentou.

"A Europa passou pelo vírus antes e agora está saindo mais cedo", disse Ajit Nedungadi, sócio-gerente da TA Associates. "Essa melhora oferece aos patrocinadores financeiros mais visibilidade sobre ganhos futuros e maior confiança."

©2020 Bloomberg L.P.

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