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China abre em Hong Kong nova agência de segurança nacional

08/07/2020 12h11

Hong Kong, 8 Jul 2020 (AFP) - O governo chinês inaugurou nesta quarta-feira (8) em Hong Kong os escritórios do novo órgão de Segurança Nacional neste território especial, uma semana depois da implementação de uma nova legislação estrita.

Na cerimônia de inauguração, a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, destacou um "momento histórico".

"Esta cerimônia é um momento histórico porque somos testemunhas de outro marco no estabelecimento de um sólido sistema legal e de um mecanismo de aplicação da lei para manter a segurança nacional em Hong Kong", disse.

Os escritórios foram instalados em um hotel rapidamente adaptado diante do parque Victoria, que foi cenário de protestos dos habitantes do território pela presença chinesa.

Uma placa com o nome da agência de segurança foi desfraldada em um ato com a presença de funcionários do governo e da polícia de Hong Kong.

A polícia bloqueou as vias ao redor do edifício onde ficam os escritórios e o cercou com barreiras pesadas cheias de água.

Uma enorme bandeira chinesa foi hasteada em frente ao prédio, depois da instalação de um emblema da República Popular da China.

Pequim impôs uma nova lei de segurança em Hong Kong na semana passada contra atos de subversão, secessão, terrorismo e conluio estrangeiro.

A lei é a alteração mais radical nas liberdades e autonomia de Hong Kong desde que o Reino Unido devolveu o território à China em 1997.

O conteúdo da lei permaneceu em sigilo até sua promulgação e contorna o Legislativo de Hong Kong.

Luo Huining, diretor do Escritório de Ligação, o órgão do poder central chinês em Hong Kong, afirmou que a cidade "diz adeus à época em que estava sem defensa em termos de segurança nacional".

A China afirma que terá jurisdição sobre os casos mais graves, derrubando os bloqueios legais que tradicionalmente existiram entre seus tribunais e o Poder Judiciário de Hong Kong desde 1997.

A nova legislação inclui a autorização para que o aparato de segurança da China trabalhe abertamente em Hong Kong, com poderes para investigar e julgar crimes de segurança nacional.

Até agora, a própria polícia e o Judiciário de Hong Kong tinham jurisdição completa sobre o centro financeiro semiautônomo.

Mas a China argumenta que a segurança nacional é responsabilidade do governo central e alega que as leis são necessárias para restaurar a estabilidade.

Até o momento não foram divulgados detalhes sobre o novo organismo, exceto os nomes dos principais funcionários. Na semana passada, o governo chinês designou Zheng Yanxiong para comandar a agência.

Zheng, que fala com fluência o dialeto cantonês de Hong Kong, é conhecido pela participação na repressão dos protestos da vizinha província de Guangdong.

Na cerimônia desta quarta-feira, Zheng disse que a agência "fortalecerá a ligação e coordenação de trabalho" com os organismos continentais que já estão presentes na cidade, incluindo a guarnição local do Exército Popular de Libertação.

Seus dois auxiliares também foram nomeados: Li Jiangzhou, oficial veterano da segurança pública que trabalhou no Escritório de Ligação, e Sun Qingye, que não é muito conhecido.

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