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Entregadores fazem greve e protestam por melhores condições de trabalho

01/07/2020 19h08

São Paulo, 1 Jul 2020 (AFP) - Milhares de entregadores que trabalham para aplicativos entraram em greve nesta quarta-feira (1) em várias cidades do país. Eles protestaram contra os salários baixíssimos, condições precárias de trabalho e falta de proteção contra o coronavírus.

Pedindo "pagamento justo", trabalhadores de empresas como Uber Eats, Rappi, Ifood e James aceleraram suas motocicletas na Avenida Paulista, antes de protestar em outras regiões da cidade de São Paulo.

Vários estavam de bicicleta, outro meio utilizado nas entregas, carregando nas costas as grandes mochilas quadradas com logotipos que se tornaram icônicos em meio à pandemia.

Uma faixa grande exibia a frase: "Motoboys unidos contra a precariedade".

"A gente tem corrida que a gente ganha 1 real por quilometro rodado, as vezes 70 centavos por quilometro rodado. Quer dizer, tem que fazer 10, 20 corridas para atingir uma quantidade que dá 80 ou 100 reais", desabafou à AFP José Valdo, um entregador de 31 anos que trabalha para Ifood, Rappi e Uber Eats.

"Para atingir isso você tem que ficar trabalhando na rua 12h ou 14h", disse ele.

Símbolo da chamada "uberização" da economia (terceirização do emprego em condições precárias), os entregadores exigem um aumento no valor por quilômetro percorrido e do mínimo por entrega, mais proteção contra acidentes, refeições diárias e outras medidas para sair da informalidade.

Em uma nota institucional, a Ifood, startup brasileira criada em 2011, diz que em maio os entregadores ganhavam em média 21,80 reais por hora trabalhada, com um mínimo de 5 reais por trajeto.

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa várias empresas do setor, emitiu uma nota nesta quarta-feira explicando que os "entregadores associados" a estas plataformas "estão cobertos por seguro de acidentes pessoais durante as entregas".

- "Expostos ao vírus"Protestos semelhantes foram realizados em outras cidades, como Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, segundo a imprensa.

Esses trabalhadores autônomos são considerados essenciais durante a pandemia, que obrigou os restaurantes a operar apenas com entregas. Apesar da importância que ganharam, muitos denunciam a falta de proteção contra o coronavírus.

"Estamos totalmente expostos ao coronavírus, diariamente, sem proteção. As empresas não nos dão máscaras, fazemos nossas máscaras, até compramos álcool em gel", lamenta Matías Santos, 19 anos, que faz entregas de bicicleta para o Uber Eats.

A Amobitec esclareceu que, desde o início da pandemia, foram implementadas medidas de apoio ao entregadores, como "reembolso ou distribuição gratuita" de máscaras, álcool em gel e desinfetante e a criação de fundos para o pagamento de auxílio financeiro para parceiros diagnosticados com COVID-19 ou em grupos de risco".

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