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'Pandemia vai incentivar inovação no setor de turismo'

Fernando Scheller

06/06/2020 08h20

O secretário-geral da Organização Mundial do Turismo (OMT), Zurab Pololikashvili, acredita que há grandes chances para o desenvolvimento de novas tecnologias para fomentar o setor de turismo na esteira das mudanças de procedimentos exigidas após a pandemia de coronavírus. À medida que o setor se reerguer, ele acredita que haverá necessidade de inovações. Entre as mudanças que diz ser possíveis, em um futuro próximo, é a entrega das bagagens a passageiros diretamente nos hotéis - evitando, assim, a aglomeração nas esteiras de terminais.

Pololikashvili viria ao Brasil pela primeira vez, no início de abril, mas a visita foi adiada pela crise do covid-19. Na semana passada, o secretário-geral da OMT participou de um debate online com o secretário de Turismo de São Paulo, Vinicius Lummertz, sobre o uso de tecnologia no setor. O evento foi promovido pela secretaria e pela FIA Business School.

"Novas startups vão se dedicar ao turismo, terão mais apoio financeiro para mudar práticas", disse. "Acredito que, em alguns anos, teremos um setor muito melhor."

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Parte do setor de turismo critica o fato de não haver protocolos claros para a retomada das atividades. O que o sr. acha do trabalho feito até agora?

Tivemos um momento de choque, em que não sabíamos o que fazer. Semana a semana nós estamos evoluindo. Os números de casos de covid-19 estão crescendo em diferentes regiões. Em um primeiro momento, a situação era muito incerta (para se fazer um protocolo). Então, logo de início, era necessário garantir apoio às companhias para que elas tivessem liquidez para enfrentar a crise. E isso deu certo.

Mas qual a recomendação para a retomada, que começa a acontecer em todo o mundo?

A nossa recomendação é no sentido de coordenação, para que se criem regras e padrões harmonizados. A partir de agora, o setor de turismo vai ter de se comportar de forma diferente, um novo protocolo vai ter de ser estabelecido para hotéis, por exemplo.

Não é fácil se criar esse padrão. A OMT criou um guia com recomendações sanitárias para hotéis, museus, aeroportos e assim por diante. E o novo turista vai se comportar de forma diferente. Não será uma questão de curto prazo, de 3 ou 6 meses. Acredito que, com a inevitável mudança, venham também novas tecnologias, novos produtos para o setor de turismo.

Que tipo de mudança o sr. vê acontecendo?

Como aconteceu depois do atentado de 11 de Setembro, teremos normas mais restritivas - mas dessa vez não estamos falando de uma ameaça à segurança, mas sim de um risco à saúde das pessoas. E as evoluções já começaram a acontecer. Hoje, já se consegue fazer a checagem de temperatura de uma pessoa em dois segundos. Agora já se fala de aeroportos entregando as bagagens das pessoas diretamente nos hotéis. Novas startups vão se dedicar ao turismo, terão mais apoio financeiro para mudar práticas. Vai ser necessário reduzir as filas na imigração.

Acredito que, em alguns anos, teremos um setor muito melhor. É o que todo mundo quer fazer depois da pandemia: viajar. Isso é, depois de ir cortar o cabelo.

O sr. já viu algum tipo de avanço? Como está a situação do Brasil, em sua opinião?

Em fevereiro, ninguém poderia imaginar que a pandemia se transferiria da China para a Europa. Agora, estamos olhando para as Américas, onde o Brasil é um dos países mais afetados. Estamos trabalhando em conjunto com o País para estabelecer diretrizes, da mesma maneira que fizemos na Europa. O Brasil é um destino turístico importante, tanto para negócios quanto para lazer, e vai continuar assim. E o vírus virá e irá embora, apesar de agora tudo ser tão difícil. Acho que precisamos de mais uns dois ou três meses para entender, em todo o mundo, qual vai ser o futuro do setor aéreo.

A retomada deve começar por voos domésticos?

Aos poucos, tudo vai voltar ao normal, e vai começar pelos voos domésticos. Mas os voos internacionais também vão retornar. É importante que retornem, pois o setor gera milhões de empregos no mundo.

Como tem sido a interlocução com o governo brasileiro?

O governo brasileiro tem se comunicado conosco e se mostrado bastante preocupado em ajudar, em especial, pequenas e médias empresas do setor.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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