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Saúde diz que números acumulados de covid-19 não refletem situação do país

General Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde - Foto: José Dias/PR
General Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde Imagem: Foto: José Dias/PR
do UOL

DO UOL, em São Paulo

06/06/2020 10h04

O Ministério da Saúde informou, em nota divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Facebook, que mudou a divulgação diária sobre os casos de covid-19 porque o acúmulo de dados não estava "retratando o momento do país".

Assim, as divulgações passarão a conter apenas os dados das últimas 24 horas, além de serem realizadas às 22h (de Brasília), e não mais às 19h. No começo da pandemia, com o ministério ainda sob gestão de Luiz Henrique Mandetta, o anúncio era feito ainda mais cedo, às 17h.

"A divulgação dos dados de 24 horas permite acompanhar a realidade do país neste momento e definir estratégias adequadas para o atendimento a população. A curva de casos mostra as situações como os cenários mais críticos, as reversões de quadros e a necessidade para preparação", diz a nota.

Os números acumulados de casos e mortes deixaram de ser divulgados desde ontem pela Saúde. "Ao acumular dados, além de não indicar que a maior parcela já não está com a doença, não retratam o momento do país. Outras ações estão em curso para melhorar a notificação dos casos e confirmação diagnóstica", justificou a pasta, em nota.

O Ministério disse, ainda, que as "rotinas e fluxos estão sendo adequados para garantir a melhor extração dos dados diários, o que implica aguardar os relatórios estaduais e checagem de dados". Por isso, na visão da pasta, a divulgação às 22h é mais adequada.

"Para evitar subnotificação e inconsistências, o Ministério da Saúde optou pela divulgação às 22h, o que permite passar por esse processo completo. A divulgação entre 17h e 19h, ainda havia risco subnotificação. Os fluxos estão sendo padronizados e adequados para a melhor precisão", completa a nota.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já havia informado que haveria mudanças depois de, pela segunda vez consecutiva, a divulgação ser adiada para as 22h (de Brasília).

"É para pegar o dado mais consolidado. E tem que divulgar os mortos no dia. Ontem, por exemplo, dois terços dos mortos eram de dias anteriores. Tem que divulgar o do dia", argumentou.

Resposta da Globo

O presidente, na mesma entrevista, também defendeu que a pasta divulgue no final da noite os dados sobre a pandemia no país como forma de atacar a Rede Globo. "Acabou matéria no Jornal Nacional", disse.

A Globo respondeu no Jornal Nacional, dizendo que o público saberá avaliar por que o governo mudou o horário. "O público saberá julgar se o governo agia certo antes ou se age certo agora. Saberá se age por motivação técnica, como alega, ou se age por propósitos que não pode confessar mais claramente."

Mais tarde, a emissora interrompeu a novela "Fina Estampa" na noite de hoje e, com a vinheta de plantão, divulgou os números oficiais de novos casos do novo coronavírus no Brasil, pouco antes das 22h. O anúncio foi feito pelo jornalista William Bonner.

"Nós dissemos que vocês [telespectadores] teriam esses números assim que eles fossem anunciados. E estamos aqui cumprindo o que nós dissemos", afirmou Bonner.

Os dados oficiais atualizados do Ministério da Saúde apontam ontem que o país alcançou a marca de 35.026 mortes em decorrência do coronavírus, com 1.005 óbitos confirmados nas últimas 24 horas. Com a inclusão de 30.830 novos diagnósticos, o país ainda contabiliza no total 645.771 casos em todo o seu território.

Esvaziamento de informações

Após três gestões diferentes e mais um período sem ministro, o Ministério da Saúde agora trata e comunica a covid-19 de maneira bem diferente em relação ao início da pandemia no país. As entrevistas coletivas, antes diárias, perderam frequência, presença e qualidade, e a pasta passou a cancelar eventos em cima da hora.

Ontem, o site oficial da covid-19, que apresentava um balanço detalhado sobre a situação da pandemia de covid-19 no país, saiu do ar. Uma mensagem dizendo "portal em manutenção" passou a ser a única informação disponível no endereço, que antes trazia detalhamento por estados, gráficos com a evolução de casos e óbitos, bem como informações sobre início dos sintomas, entre outros detalhamentos. O Ministério ainda não se pronunciou sobre o problema e a plataforma continua fora do ar.

Antes da confirmação do general Eduardo Pazuello como ministro interino da Saúde, responderam pela pasta Nelson Teich e Luiz Henrique Mandetta. Os dois saíram do governo em meio à pandemia.

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