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Bolsonaro ameaça tirar Brasil da OMS, enquanto crise cede nos EUA

06/06/2020 01h22

Washington, 6 Jun 2020 (AFP) - O presidente Jair Bolsonaro ameaçou retirar o Brasil da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta sexta-feira (5), ao acusar o organismo de trabalhar com "viés ideológico", enquanto os contágios e óbitos pelo novo coronavírus continuam em ascensão no Brasil e no resto da América Latina, em contraste com a situação na Europa e nos Estados Unidos.

"E eu adianto aqui, os Estados Unidos saiu [sic] da OMS. A gente estuda, no futuro... Ou a OMS trabalha sem viés ideológico ou a gente sai de lá também", disse o presidente, admirador de Trump, a jornalistas no Palácio da Alvorada, em Brasília.

O Brasil é desde a quinta-feira o terceiro país com o maior registro de mortes, com mais de 35.000 falecidos pela COVID-19. É uma "bomba relógio", resumiu um médico especialista em doenças infecciosas no Paraguai, fronteiriço com o Brasil.

O país vizinho reafirmou nesta sexta que vai aguardar ainda para reabrir a fronteira com o Brasil, onde "a situação é bastante caótica", segundo seu diretor de Vigilância Sanitária, Guillermo Sequera.

Mais ao norte, o presidente americano, Donald Trump, declarou nesta sexta que os Estados Unidos tinham superado "em grande medida" a crise do coronavírus, enquanto comemorou os números positivos do emprego.

Ao comentar o índice de desemprego em maio (13,3%, quando os mais pessimistas previam cerca de 20%), Trump elogiou a "fortaleza" da economia americana.

"Tínhamos a maior economia da história. E essa força nos permitiu superar esta horrível pandemia", disse o presidente em tom eleitoral, com vistas às presidenciais de novembro.

A Califórnia, por exemplo, anunciou que a produção de filmes e programas de TV poderá ser retomada em 12 de junho.

Os Estados Unidos, país mais castigado pela pandemia, registrou nesta sexta 109.000 das mais de 390.000 mortes que o novo coronavírus deixou em todo o mundo desde que emergiu na China no ano passado.

- Ascensão da curva -A América Latina, ao contrário, segue avançando para o pior momento da pandemia, com números alarmantes em Brasil, Chile, México e Peru, entre outros países.

Com 35.026 mortos e 645.771 casos confirmados, o Brasil é o mais afetado da região e o terceiro país do mundo com mais mortes depois dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Com 210 milhões de habitantes, o Brasil não aplicou nenhuma política contra o coronavírus de abrangência nacional e as medidas de contenção decretadas por alguns estados e municípios foram no geral menos estritas do que as adotadas na maioria dos países europeus.

"Nada indica que a curva [de mortalidade] diminuirá" no curto prazo no Brasil, alertou o presidente da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Francesc Roca, em declarações à AFP.

As Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos alertaram para o "grave risco" que correm os indígenas da Amazônia, lar de 420 povos originários, 60 deles em isolamento voluntário.

O cacique Raoni, figura emblemática da resistência indígena no Brasil, acusou o presidente Bolsonaro de "aproveitar" a pandemia para impulsionar projetos que supõem o desaparecimento dos povos originários.

O México, por sua vez, reportou nesta sexta 4.346 novos contágios, totalizando 110.026, e 816 mortes (13.170), após dois dias de recordes nos dois dados.

O país começou a afrouxar o confinamento depois de mais de dois meses e seu presidente, Andrés Manuel López Obrador, pediu à população que não "relaxe a disciplina", mas que tampouco caia na "psicose".

O Peru, segundo país da região em número de casos (187.400) e o terceiro no de óbitos, registrou 5.162 mortes, com um sistema de saúde à beira do colapso pelas mais de 9.000 pessoas hospitalizadas e com grave escassez de oxigênio para pacientes graves.

No Chile, as mortes pelo coronavírus subiram 50% em uma semana e somam 1.448, com 122.499 casos confirmados.

- Europa rumo a uma reabertura -A Europa também se somou ao otimismo, na medida em que a vida volta a alguns de seus gestos prévios antes do aparecimento da COVID-19.

A União Europeia (UE) informou que poderá abrir as fronteiras a viajantes do continente no começo de julho, junto com a proximidade do verão no hemisfério norte.

Na França, "o vírus continua circulando em certas regiões (...), mas circula em baixa velocidade", declarou François Delfraissy, presidente do conselho científico que assessora o governo.

Segundo o especialista, "pode-se dizer, racionalmente, que a epidemia está sob controle" no país, onde a COVID-19 causou 29.065 mortos e 189.441 contágios.

Enquanto isso, o Reino Unido superou nesta sexta as 40.000 mortes pelo novo coronavírus.

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