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Bolsonaro diz que pode determinar na próxima semana volta de comércio e outras atividades no país

02/04/2020 21h28

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que poderá editar na próxima semana uma norma para garantir a volta do comércio e outras atividades suspensas país afora, caso governadores e prefeitos que tomaram medidas drásticas de isolamento social não comecem paulatinamente a rever suas decisões.

"Na semana que vem, se não começar a volta gradativa do emprego, eu vou ter que tomar uma decisão", disse ele em entrevista ao programa Pingo nos Is, da Rádio Jovem Pan. "Para abrir o comércio, eu posso abrir uma canetada."

Desde a semana passada, Bolsonaro tem criticado duramente gestores regionais que adotaram medidas de isolamento social como quarentena. Tem dito que eles não têm se preocupado com o impacto econômico para a medida que poderá ter um custo social muito maior do que o combate ao avanço do vírus.

Na entrevista, o presidente disse que "alguns governadores" desejam que ele tome esse tipo de decisão para trazer o problema para o seu colo. Defendeu novamente o direito das pessoas ao trabalho, citando que se deve isolar somente grupos de risco -- o que contraria o protocolo preconizado pelo próprio Ministério da Saúde do seu governo.

Bolsonaro disse que as pessoas têm de se preparar para a volta ao trabalho e que isso vai ocorrer, seja por decisão dos governadores ou do presidente. Ressalvou, contudo, que se for uma decisão dele obviamente ela passaria pelo crivo do Supremo Tribunal Federal ou do Congresso e que essas instituições podem barrar uma eventual determinação dessas.

Segundo o presidente, governadores assumiram a dianteira nesse processo sem falar nem procurar o Executivo Federal. Para ele, embora tenha admitido que haverá mais mortes, há um alarmismo dentro do que está ocorrendo.

Bolsonaro argumentou que está esperando mais apelos da população para tomar uma decisão sobre a retomada das atividades.

E não deixou de traçar cenários sombrios à frente. Para o presidente, dada a situação atual, pessoas podem começar a passar fome e então poderá haver saques no país. Além disso, afirmou que os servidores públicos vão ter que entender que se não tiver arrecadação, eles não vão receber seus salários.

Em mais uma argumentação contra o chamado isolamento social, o presidente disse que 70% das pessoas acabarão sendo infectadas e comparou a epidemia a uma guerra. Na guerra, disse, há baixas entre os soldados, e agora a epidemia também causará mortes.

Apesar das críticas à paralisação das atividades, determinadas por governadores e prefeitos, Bolsonaro destacou medidas de apoio econômico à população adotadas pelo governo federal e afirmou que o auxílio mensal de 600 reais aos chamados vulneráveis começarão a ser pagos na próxima semana.

(Reportagem de Ricardo Brito)

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