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Novo coronavírus na França: como autoridades sanitárias tentam evitar propagação ao resto da Europa?

25/01/2020 08h57

A França confirmou três casos do novo coronavírus no país - os primeiros em solo europeu. Segundo a minista francesa da Saúde, Agnès Buzyn, dois pacientes estão hospitalizados em Paris e um em Bordeaux, no sudoeste. Alarmadas, as autoridades sanitárias agem rapidamente para evitar que a doença de propague para outros países.

A França confirmou três casos do novo coronavírus no país - os primeiros em solo europeu. Segundo a minista francesa da Saúde, Agnès Buzyn, dois pacientes estão hospitalizados em Paris e um em Bordeaux, no sudoeste. Alarmadas, as autoridades sanitárias agem rapidamente para evitar que a doença de propague para outros países.

Após descartar um primeiro caso suspeito na última semana, o Ministério da Saúde anunciou na sexta-feira (24) que três pessoas com o novo coronavírus estão sendo tratadas em hospitais franceses. Todos eles viajaram recentemente à China e estão isolados, garantiu Agnès Buzyn.

Nas rádios e televisões francesas, as primeiras medidas de precaução são anunciadas. De acordo com a ministra, as autoridades sanitárias trabalham para evitar que uma epidemia se instale, comparando as estratégias ao "controle de um incêndio".

Primeiramente, uma investigação está sendo feita para identificar todas as pessoas que tiveram contato com os três pacientes contaminados. Elas receberão, da parte das autoridades sanitárias, recomendações específicas para evitar todo o contato com outros indivíduos e continuar a propagação do coronavírus.

O que fazer em caso de infecção?

O Ministério da Saúde da França indica que, em caso de suspeita de infecção, a primeira recomendação é permanecer em casa e telefonar para os serviços de emergência, alertando caso tenha viajado recentemente à China. O governo pede aos potenciais contaminados não procurarem por conta própria médicos ou serviços hospitalares para evitar a propagação do vírus e a superlotação dos hospitais.

Os casos suspeitos serão isolados em hospitais de referência. Cabe ao Instituto Pasteur, em Paris e Lyon, verificar se o paciente é positivo ou negativo. O exame se baseia em um mapeamento do vírus realizado pelas autoridades sanitárias da China.

Até o momento não há um medicamento específico contra o novo coronavírus. Segundo as observações dos primeiros 41 casos da doença na China, os sintomas são similares aos da Síndrome Respiratória Agudo Grave (Sras, sigla em inglês), que deixou 774 mortos no mundo entre 2002 e 2003: pneumonia, febre, tosse, dificuldades respiratórias e forte cansaço. O tratamento consiste em gerenciar esses sintomas.

A principal dificuldade dos serviços médicos é identificar o coronavírus em um momento de pico de epidemia de gripe na Europa e na China. Na França, cinco regiões - entre elas a da capital francesa - registram atualmente uma epidemia de gripe e outras oito estão em fase pré-epidêmica.

Franceses contaminados

Dois pacientes contaminados com o coronavírus na França são da mesma família e recebem tratamento no Hospital Bichat, na capital francesa. O terceiro doente está isolado no Centro Hospitalar Pellegrin, em Bordeaux, no sudoeste. Ele voltou da China em 22 de janeiro e passou por Wuhan, epicentro da epidemia.

Contrariamente a outros países, a França não colocou em prática nenhuma medida de controle de passageiros provenientes da China nas fronteiras. Em coletiva de imprensa na sexta-feira, a ministra da Saúde tantou acalmar os ânimos. "A Organização Mundial da Saúde não quis declarar emergência internacional, então, não há recomendações particulares atualmente aos viajantes", afirmou.

Segundo ela, os 26 voos semanais diretos de Wuhan à Paris foram cancelados desde quinta-feira (23). No entanto, outros cerca de 60 voos diretos da China continuam pousando no aeroporto Roissy-Charles-de-Gaulle. "Todos os passageiros recebem um flyer em francês, inglês e chinês", explicando "como agir" em caso de contaminação, reiterou Agnès Buzyn.

O novo coronavírus já deixou 41 mortos e contaminou cerca de 1.300 pessoas na China. O governo chinês proibiu, neste sábado (25), a circulação de veículos em Wuhan e aumentou o cordão sanitário a outras cinco cidades do centro do país. No total, 18 localidades estão isoladas e 56 milhões de chineses estão sob confinamento.

A Austrália também confirmou neste sábado seus quatro primeiros casos do novo coronavírus. Logo depois, Hong Kong, que registra cinco infectados no território, decretou nível máximo de alerta. Os outros países/territórios que registraram contaminações do novo coronavírus são: Macau (2), Taiwan (3), Singapura (3), Tailândia (5), Malásia (3), Nepal (1), Coreia do Sul (2), Japão (3), Vietnã (2) e Estados Unidos (2).

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