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Mujica diz que Bolívia vive "golpe de Estado" e desconfia de motivo

"A polícia se aquartelou, ponto, e como isso se chama?", questionou o ex-presidente uruguaio - Antony Jones/Getty Images
"A polícia se aquartelou, ponto, e como isso se chama?", questionou o ex-presidente uruguaio Imagem: Antony Jones/Getty Images

11/11/2019 19h56

Montevidéu, 11 nov (EFE) - O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, afirmou nesta segunda-feira que a renúncia de Evo Morales da presidência da Bolívia foi fruto de um "golpe de Estado" e alegou que as riquezas do país o fazem desconfiar dos motivos que culminaram nesta situação.

"Para mim foi um golpe de Estado, não há muito o que discutir. Por quê? Porque há um ultimato do Exército de que (Evo) deveria sair ou sair, e a polícia se aquartelou, ponto, e como isso se chama?", questionou Mujica, eleito senador nas eleições de outubro, à "Televisión Nacional del Uruguay" (TNU).

O ex-presidente e ex-guerrilheiro considera que ficou em segundo plano se a renúncia de Morales se deve a uma eventual fraude nas recentes eleições na Bolívia.

"Que sentido isso tem se, quando foram anunciadas novas eleições (por Morales, horas antes de renunciar), a máquina golpista não parou? E o que tem a ver a repressão que houve sobre casas, familiares, sob os olhares e consideração das corporações armadas da Bolívia? É evidente que há um golpe de Estado", reiterou Mujica.

Mujica comentou que a onda de protestos na Bolívia pode estar ligada ao fato de que Morales forçou a possibilidade de ser candidato a presidente para um eventual quarto mandato, mas que isso não justifica, segundo ele, um "linchamento".

Se esta fosse a razão, Mujica opinou que o correto seria abrir a porta para uma nova eleição, algo que também não foi aceito - embora há que se ressaltar que Morales, ao fazer a oferta de uma repetição do pleito de 20 de outubro, não tenha descartado voltar a participar.

"A Bolívia é muito rica, se diz que tem 70% de material imprescindível para fazer as novas baterias (o país tem a maior reserva mundial do metal alcalino lítio). Todos sabemos que no mundo há uma mudança energética. Não estou acusando, porque não tenho provas, estou desconfiando, pela história", afirmou.

Morales anunciou ontem, em mensagem de vídeo gravada em local desconhecido, sua renúncia à presidência após quase 14 anos no poder, em meio a protestos contra uma suposta fraude nas eleições de outubro, algo que foi corroborado por uma auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA).

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