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Abraji se solidariza com site que Damares denunciou por texto sobre aborto

Damares Alves - Divulgação/Assembleia do Espírito Santo
Damares Alves Imagem: Divulgação/Assembleia do Espírito Santo
do UOL

Do UOL, em São Paulo

20/09/2019 19h10

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) se solidarizou com as jornalistas do site AzMina. Ontem, Damares Alvares, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do governo de Jair Bolsonaro, disse que denunciou o veículo por "apologia ao crime" após reportagem que mostrou as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) para aborto seguro.

Em nota, a Abraji afirmou que o veículo e as profissionais de AzMina vêm sofrendo ataques virtuais por conta da publicação da matéria.

"Em um ambiente democrático, todos devem ser livres para cobrir qualquer assunto, da forma como considerarem adequada. A crítica aos veículos e jornalistas também deve ser livre - é normal que sua atuação passe pelo escrutínio dos participantes da esfera pública. Mas a própria democracia passa a ser alvo quando críticas se transformam em ataques, ainda mais se estes são amplificados por ocupantes de cargos públicos e representantes eleitos", diz a Abraji.

"A Abraji se solidariza com todas as jornalistas da AzMina e repudia o assédio digital de que são vítimas. A associação apela ainda aos Ministérios Públicos Federal e paulista que não deem seguimento a eventuais representações criminais contra as profissionais e a revista, em cumprimento a seu papel de salvaguardar a liberdade de expressão", finaliza a associação.

Além das recomendações da OMS, a reportagem colocou entrevistas de pessoas que abortaram e médicos tirando dúvidas sobre o assunto. A matéria, que foi publicada na quarta-feira (18), também citou que "atualmente, o aborto no Brasil é crime, com três exceções" e explicou "quando o aborto é legalizado" no país.

Já no final da noite de ontem (19), a ministra reagiu. "Uma apologia ao crime e que pode colocar tantas meninas e mulheres em risco. Já demos encaminhamento à denúncia. Vamos acompanhar", disse ela no Twitter. Damares citou duas pessoas que teriam alertado sobre a reportagem - uma delas, no Twitter, diz detestar "feministas histéricas".

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