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Inpe: Fogo queimou área de 4,2 mi campos de futebol na Amazônia em agosto

Felipe Werneck/Ibama
Imagem: Felipe Werneck/Ibama
do UOL

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

03/09/2019 11h55

Os incêndios na Amazônia em agosto queimaram 29.944 km² do bioma, o equivalente a 4,2 milhões de campos de futebol, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais). O território queimado é mais de quatro vezes maior do que o registrado em agosto de 2018, quando foram queimados 6.048 km². Ao todo, a Amazônia tem 5,5 milhões de km², sendo 4,19 milhões de km² em nove estados brasileiros.

A área medida é a maior desde 2010, quando a região sofria com uma seca intensa e teve 43.187 km² queimados.

Um dado que chama a atenção é que, além de registrar mais incêndios, eles foram maiores neste ano. Em média, cada foco registrado queimou uma área de de 800 m². Em 2018, essa média foi de 580 m². Em agosto deste ano, foram 30.901 focos registrados pelo Inpe.

O mês de agosto respondeu por 63% do total de área queimada no bioma no ano, que já soma 43.573 km² atingidos. Apesar de ainda estarmos iniciando o nono mês do ano, o total queimado até agora neste ano já supera os 43.171 km² destruídos pelo fogo em todo 2018.

Historicamente, por característica climática, o mês de setembro é o que registra mais queimadas. Nos dois primeiros dias do ano, o Inpe já indicou 1.514 focos na Amazônia, 56% do total registrado nos primeiros dois dias do mês.

Segundo especialistas consultados pelo UOL, o ano de 2019 está mais seco, mas longe dos níveis registrados em 2010, quando tivemos o recorde de queimadas do bioma na década.

Os municípios mais desmatados são aqueles que registram maior número de focos de incêndio. As dez cidades com mais focos são responsáveis por 37% das queimadas em 2019 e por 43% do desmatamento registrado até o mês de julho. O destaque ficou para Altamira, no Pará, que registra até quase 3.000 focos de calor no ano.

A diretora de ciência do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Ane Alencar, explica que o aumento no número de queimadas só pode ser explicado pela alta no desmatamento, já que não houve qualquer evento climático extremo que justifique essa situação.

"Neste ano não temos uma seca extrema, como em 2015 e 2016. Em 2017 e 2018, tivemos um período chuvoso suficiente. Em 2019, não temos eventos climáticos que afetam as secas, como o El Niño, ou eles não estão acontecendo [de maneira] forte. Não tem como o clima ser a explicação desse aumento [de queimadas]", diz.

No sábado (31), o UOL revelou que as cicatrizes de queimadas percebidas pelo Inpe, por meio de imagens de satélite nos últimos 12 meses, foi 5.671 km² e equivaleu a 32% do total de desmatamento ou degradação do solo amazônico.

Área queimada em agosto por ano (em km²)

  • 2010 - 43.187
  • 2011 - 6.630
  • 2012 - 15.856
  • 2013 - 6.271
  • 2014 - 15.773
  • 2015 - 15.365
  • 2016 - 15.462
  • 2017 - 17.630
  • 2018 - 6.048
  • 2019 - 24.944

Fonte: Inpe

Queimadas e desmatamento: a crise na Amazônia em números

UOL Notícias

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado no primeiro parágrafo, os incêndios na Amazônia em agosto queimaram 29.944 km² (e não 29,9 milhões km²). A área correta equivale a 4,2 milhões de campos de futebol, e não 3,4 milhões. O texto foi corrigido.

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