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Ação da Petrobras dobraria de preço com eventual privatização, diz Bradesco

Diego Herculano/NurPhoto/Getty Images
Imagem: Diego Herculano/NurPhoto/Getty Images
do UOL

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

22/08/2019 18h05

Resumo da notícia

  • Mercado financeiro já faz projeções de quanto a Petrobras poderia valer, caso o governo levasse adiante os eventuais planos de privatização
  • Nas contas da equipe de análise do Bradesco Banco de Investimentos (BBI), a ação poderia dobrar de preço, atingindo a casa dos R$ 50 a R$ 55
  • Apesar da projeção otimista para as ações, os analistas apontam três problemas que podem inviabilizar a privatização da Petrobras
  • É necessária a aprovação do Congresso; já há uma "privatização indireta" em andamento; e venda da fatia do BNDES pode ser suficiente para fazer caixa

O mercado financeiro já faz projeções de quanto a Petrobras poderia valer, caso o governo levasse adiante os eventuais planos de privatização da companhia (que é apenas uma hipótese). Nas contas da equipe de análise do Bradesco Banco de Investimentos (BBI), a ação poderia dobrar de preço, atingindo a casa dos R$ 50 a R$ 55, caso a empresa fosse integralmente privatizada.

A ação PN (preferencial) encerrou esta quinta-feira (22) cotada a R$ 25,22, em queda de 0,9%, enquanto a ação ON (ordinária) fechou valendo R$ 27,63, com baixa de 0,97%. Na quarta-feira (21), o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, declarou que o governo ainda está elaborando estudos sobre como privatizar a Petrobras, mas não há nada definido.

Três problemas para superar

Apesar da projeção otimista para as ações, a equipe do Bradesco BBI aponta três problemas que podem inviabilizar a privatização da Petrobras:

Aprovação pelo Congresso: Seria necessário aprovar uma emenda constitucional, por maioria absoluta dos parlamentares, para permitir a privatização. "Isso, por si só, já representaria um desafio político significativo para o governo e poderia levar vários anos de discussões acaloradas."

"Privatização indireta" em andamento: A companhia já estaria sofrendo uma privatização indireta desde 2016, em função da venda de diversos ativos, como gasodutos, refinarias e a BR Distribuidora. "Questionamos até que ponto essa mentalidade de 'privatização indireta' realmente mudou dentro do governo, a ponto de ele querer abrir mão da maioria das ações ordinárias."

Venda de fatia do BNDES: O governo poderia levantar um grande volume de recursos --da ordem de R$ 48 bilhões-- apenas com a venda da participação do BNDES na Petrobras, evitando que toda a companhia fosse privatizada. A fatia apenas do governo na estatal é estimada em quase R$ 100 bilhões.

Quem poderia comprar?

Na opinião da equipe do banco, "haveria uma lista de possíveis compradores para esse atraente ativo de classe mundial".

As principais candidatas são outras companhias de petróleo, especialmente as empresas que já atuam no pré-sal brasileiro. Instituições financeiras, grandes fundos e outros participantes do mercado também teriam interesse na estatal brasileira.

"Qualquer comprador estratégico com um balanço sólido e apetite para crescer nas regiões do pré-sal [ou seja, empresas que já participaram de licitações no pré-sal] podem ser compradores em potencial."

Basta cavar para achar petróleo?

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