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Velório no CE é interrompido após viúva afirmar que morto apertou sua mão

Velório no CE é interrompido após viúva afirmar que morto apertou sua mão - Reprodução/Google Maps
Velório no CE é interrompido após viúva afirmar que morto apertou sua mão Imagem: Reprodução/Google Maps
do UOL

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

18/08/2019 19h38

O velório de um homem de 61 anos, que morreu de infarto, foi interrompido e o morto levado para o hospital após a viúva afirmar que ele apertou as mãos dela. O caso aconteceu no município de São Luís do Curu (CE), a 83km de Fortaleza, na última sexta-feira (16).

Raimundo Bezerra de Sousa, 61, morreu vítima de infarto, no hospital de Itapipoca (CE), na noite da última quinta-feira (15). Ele passou mal na cadeia de Trairi (CE), onde estava preso, foi socorrido para a unidade hospitalar e entrou em óbito durante atendimento médico.

No velório, por volta das 11h30 da sexta-feira, familiares acionaram Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) relatando que o morto apresentou sinais vitais, ao apertar a mão da viúva, se mexer no caixão e o corpo suar. Entretanto, a equipe do Samu confirmou o óbito.

Inconformados, os familiares de Sousa retiraram o corpo dele do caixão e levaram-no ao Hospital Municipal Antônio Ribeiro da Silva, em São Luís do Curu, para que o corpo se submetesse a uma nova avaliação.

Segundo o hospital, não foram detectados sinais vitais pela equipe médica e o corpo liberado para enterro.

Após o vai-e-vem, o corpo de Sousa foi enterrado no cemitério municipal de São Luís do Curu, por volta das 18h.

O professor de medicina legal da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), George Sanguinetti, afirma que é impossível se tratar de um caso de catalepsia, pois com o avanço da medicina, com exames, é difícil ocorrer diagnóstico errado de óbito. Ele destaca, neste caso, que o corpo foi examinado por três vezes para detectar a morte real e a morte aparente.

Para o médico legista, neste caso, pode ter ocorrido espasmos cadavéricos com contratura muscular de membros, e o "lado afetivo da família do falecido acreditou na possibilidade de ele estar vivo."

"Há fenômenos que fazem parte da realidade de morte que podem confundir as pessoas. Após a morte, nem todas as células morrem imediatamente. Por exemplo: a barba pode crescer, por até seis horas, o sistema digestivo continuar funcionando por até uma hora", explica Sanguinetti, destacando que, além disso, há espasmos cadavéricos.

"A movimentação na placa mioneural dá reação de espasmos cadavéricos. Há também a contratura muscular, que com o passar do tempo da morte, o corpo vai ficando rígido", destaca o professor de medicina legal.

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