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Em decisão severa, Turquia condena 151 à prisão perpétua por tentativa de golpe

2019-06-20T14:39:08

20/06/2019 14h39

Um tribunal turco condenou nesta quinta-feira (20) à prisão perpétua 151 pessoas, em um dos maiores julgamentos realizados por ocasião da tentativa de golpe de Estado de 2016. O tribunal de Sincan, na província de Ancara, condenou à prisão perpétua agravada 128 pessoas, o que implica em condições de encarceramento especialmente duras, e à prisão perpétua outras 23 pessoas, por "tentativa de derrubada da ordem constitucional", assassinato e tentativa de assassinato, informou a agência de notícias DHA.

Um tribunal turco condenou nesta quinta-feira (20) à prisão perpétua 151 pessoas, em um dos maiores julgamentos realizados por ocasião da tentativa de golpe de Estado de 2016. O tribunal de Sincan, na província de Ancara, condenou à prisão perpétua agravada 128 pessoas, o que implica em condições de encarceramento especialmente duras, e à prisão perpétua outras 23 pessoas, por "tentativa de derrubada da ordem constitucional", assassinato e tentativa de assassinato, informou a agência de notícias DHA.

Por outro lado, 32 pessoas foram liberadas e 27 receberam sentenças que chegam a 20 anos de prisão, por "pertencerem a uma organização terrorista", segundo a mesma fonte. Um total de 224 pessoas foram julgadas, entre elas 20 generais, em um dos maiores julgamentos relacionados à tentativa de golpe de Estado de 2016. Deste total, 176 encontravam-se em prisão provisória, 35 estão em liberdade e 13, foragidas.

O ex-chefe da Força Aérea Akin Öztürk e o ajudante do presidente Recep Tayyp Erdogan no momento do golpe, Ali Yazici, integram a lista de condenados à prisão perpétua, informou a DHA.

A tentativa de golpe aconteceu na noite de 15 para 16 de julho de 2016 e deixou quase 250 mortos, sem contar os golpistas, e milhares de feridos. Ancara atribui a tentativa de derrubar Erdogan a seu ex-aliado e pregador Fethullah Gülen, instalado nos Estados Unidos há 20 anos e que nega envolvimento no episódio.

O ministro da Justiça, Abdülhamit Gül, comemorou as condenações, que, segundo ele, mostram "a exemplaridade" do sistema judicial de seu país. A audiência foi realizada na prisão de Sincan, onde uma grande sala foi montada para abrigar os julgamentos.

Clima tenso do lado de fora

Uma centena de pessoas se reuniram diante do tribunal, em um clima tenso e sob forte aparato de segurança. Enquanto o juiz anunciava as sentenças, os policiais tentavam manter a calma da multidão do lado de fora, onde eram registradas brigas. Um agente atirou várias vezes para o alto para acalmar os ânimos.

Durante a abertura do processo, em maio de 2017, famílias de vítimas da tentativa de golpe se reuniram na frente do tribunal para exigir o restabelecimento da pena de morte, abolida como parte da candidatura turca à União Europeia. O presidente Erdogan ainda não tomou nenhuma decisão neste sentido.

As prisões e julgamentos realizados após a tentativa de golpe são de uma dimensão sem precedentes na Turquia. Mais de 50 mil pessoas, incluindo militares, magistrados e professores, foram presas desde o 15 de julho de 2016.

Milhares de condenações

Até o momento, e sem contar as sentenças de hoje, 3.239 pessoas foram condenadas após 261 julgamentos relacionados ao golpe fracassado. Vinte e oito processos estão em andamento, segundo o Ministério da Justiça turco.

Segundo a ata de acusação, citada pela imprensa turca, mais de 8 mil militares participaram da tentativa de golpe, durante a qual os golpistas usaram 35 aviões de combate, 37 helicópteros, 74 tanques, 246 veículos blindados e cerca de 4 mil armas.

Com informações da AFP

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