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EUA pressiona Irã com envio de mais soldados ao Oriente Médio

2019-06-18T08:41:00

18/06/2019 08h41

Washington, 18 Jun 2019 (AFP) - China e Rússia advertiram nesta terça-feira sobre uma escalada da tensão no Oriente Médio, depois que os Estados Unidos anunciaram o envio de mais tropas à região e exortaram o mundo a "não ceder à chantagem nuclear" do Irã.

A decisão americana foi divulgada poucas horas após o anuncio de Teerã de que vai ignorar certos dispositivos do acordo internacional sobre seu programa nuclear.

"Os recentes ataques iranianos confirmam as informações confiáveis que recebemos sobre o comportamento hostil das forças iranianas", declarou na segunda-feira o chefe do Pentágono, Patrick Shanahan.

"Autorizei o envio de mais mil soldados para propósitos defensivos para responder a ameaças aérea, naval e em terra no Oriente Médio", disse Shanahan, acrescentando que "os Estados Unidos não buscam conflito com o Irã", apenas "garantir a segurança e o bem-estar de nosso pessoal militar que trabalha em toda a região e proteger nossos interesses nacionais".

Os Estados Unidos publicaram na segunda-feira novas fotos que, segundo Shanahan, incriminariam o Irã no ataque a dois navios petroleiros na semana passada, no Golfo Pérsico.

As 11 fotos publicadas pelo Pentágono incluem um objeto metálico circular de aproximadamente oito centímetros de diâmetro aderido ao casco do petroleiro japonês Kokuka Courageous, apresentado como um dos dispositivos utilizados para colocar uma mina magnética que não explodiu.

Os Estados Unidos afirmam que uma lancha militar iraniana retirou o dispositivo após o incidente, no dia 13 de junho.

Outra foto mostra a cavidade causada pela colocação de uma segunda mina no casco do mesmo petroleiro, que o Pentágono estima em mais de um metro de diâmetro.

"O Irã é responsável por este ataque, como revelam as provas em vídeo, e tem os recursos e habilidades necessários para retirar rapidamente uma mina sem explodir", destacou o Pentágono.

As imagens foram realizadas a partir de um helicóptero "Seahawk" da Marinha dos EUA.

A União Europeia não se pronunciou sobre a autoria do ataque e se negou até o momento a seguir a tese de Washington.

O Irã anunciou na segunda-feira (17) que suas reservas de urânio enriquecido ultrapassarão a partir de 27 de junho o limite estabelecido no acordo internacional de 2015 sobre sua energia nuclear.

"Hoje começou uma contagem regressiva para superar os 300 quilos de reservas de urânio enriquecido e, em 10 dias, vamos superar este limite", declarou o porta-voz da Organização Iraniana de Energia Atômica, Behruz Kamalvandi.

Concluído em Viena em 2015 pelo Irã, Alemanha, China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia, o acordo visa limitar drasticamente o programa nuclear da República Islâmica em troca de um levantamento das sanções econômicas internacionais contra este país.

Mas em maio de 2018 o presidente americano Donald Trump retirou seu país deste pacto e restabeleceu as sanções contra Teerã, que tem pressionado há meses aqueles que permaneceram no acordo a ajudar a atenuar os efeitos devastadores para a sua economia.

Até o momento, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificou que o Irã respeita os compromissos assumidos no âmbito do acordo.

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, pediu ao Irã que adote "decisões prudentes" e "não abandone tão facilmente" o acordo, ao mesmo tempo que fez uma advertência aos Estados Unidos contra a abertura da "caixa de Pandora" no Oriente Médio.

O Kremlin fez um apelo para que se evite uma escalada no Oriente Médio. "Pedimos a todas as partes para que atuem com moderação", declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov.

O governo americano afirmou que o mundo "não deve ceder à chantagem nuclear" do Irã, nas palavras de Morgan Ortagus, porta-voz do Departamento de Estado americano.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, exigiu "sanções imediatas" contra o Irã por parte da comunidade internacional, se Teerã superar os limites de reservas de urânio enriquecido autorizados pelo acordo internacional de 2015.

No início de maio, o Irã já havia anunciado a suspensão de alguns de seus compromissos no Plano de Ação Integral. Teerã decidiu não respeitar dois limites impostos: o de 300 quilos, para suas reservas de urânio enriquecido (UF6); e o de 130 toneladas, para suas reservas de água pesada.

Na mesma data, o Irã impôs um ultimato de 60 dias aos Estados ainda dentro do acordo para que colaborassem, de forma a evitar as sanções americanas.

Sem obter resposta, ameaçou parar de cumprir outros dois compromissos, com o presidente Hassan Rohani indicando que o país deixará de observar as restrições "relativas ao grau de enriquecimento de urânio" e que poderá retomar o projeto de construção de um reator de água pesada, em Arak (centro).

O reator de Arak foi desativado, conforme previsto no acordo de Viena. Este também estabeleceu um limite para o número de centrífugas que enriquecem urânio e restringiu o direito do país de enriquecer urânio a não mais do que 3,67%. O percentual é muito abaixo do nível necessário para produzir armamento, o qual é de quase 90%.

Acreditando ser o único Estado-parte deste pacto a cumprir seus compromissos, acusa a União Europeia de não querer, ou de ser incapaz, de fazer qualquer coisa para salvar o acordo.

No início do ano, Paris, Berlim e Londres lançaram um mecanismo de troca - o INSTEX - para ajudar o Irã a contornar as sanções dos Estados Unidos. Este mecanismo, porém, não deu origem a nenhuma transação.

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