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Ter ou não ter um "catioro"? Eis a questão... genética

Estudo pode ter implicações à compreensão da história da domesticação de cães - Getty Images
Estudo pode ter implicações à compreensão da história da domesticação de cães Imagem: Getty Images
do UOL

Janaina Garcia

Colaboração para o UOL

18/05/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Cachorro tem uma relação de pelo menos 15.000 anos com a raça humana
  • Variação genética explica mais de 50% da posse de cães
  • Descoberta serve para checar suposto benefício à saúde em se ter cão

Você tem "o" dom para ser "pai" ou "mãe" de cachorro, mas seus amigos ou mesmo alguns de seus familiares estão longe disso? Ou vice-versa? Relaxe. Pela primeira vez, a ciência tenta explicar que a genética de uma pessoa parece ter ao menos metade da influência na decisão de ter um "catioríneo".

As análises sobre hereditariedade nesse tipo de comportamento estão sendo conduzidas por uma equipe de cientistas suecos e britânicos a partir do estudo de 35.035 pares de gêmeos do Registro Sueco de Gêmeos --o mais completo do mundo. Os resultados são publicados pela primeira vez no jornal "Scientific Reports".

Até agora, a pesquisa sugere que a variação genética explica mais de 50% da variação na posse de cães. Ou seja: a decisão de se ter um pet como esse seria fortemente influenciada pela composição genética do indivíduo.

Primeiro animal domesticado, o cachorro tem uma relação de pelo menos 15.000 anos com a raça humana e é comumente apontado hoje como elemento importante de saúde e bem estar de seus donos.

"Ficamos surpresos ao ver que a composição genética de uma pessoa parece ter uma influência significativa no fato de se ter um cão", afirmou ao site "Eureka Alerts" um dos principais autores do estudo, Tove Fall, que é professor de Epidemiologia Molecular no Departamento de Ciências Médicas e no Laboratório de Ciência para a Vida da Universidade de Uppsala, na Suécia.

Para o pesquisador, descobertas como essa podem ter implicações importantes em vários campos diferentes relacionados à compreensão da interação cão-homem não apenas no longo da história, como nos tempos atuais.

"Embora cães e outros animais de estimação sejam membros comuns à família em todo o mundo, pouco se sabe como eles afetam nossa vida diária e nossa saúde. Talvez algumas pessoas tenham uma propensão inata maior para cuidar de um animal de estimação que outras", completa.

Coautor do estudo palestrante sobre interação homem-animal na Universidade de Liverpool, Carri Westgarth emendou: "Essas descobertas são importantes à medida em que sugerem que supostos benefícios à saúde em se ter um cão, reportados em algumas pesquisas, podem ser parcialmente explicados por diferenças genéticas das pessoas estudadas", define.

A opção por se conduzir pesquisas como essa com gêmeos não é ao acaso. Pelo contrário: é um dos métodos mais conhecidos para se desvendar as influências do ambiente e dos genes em nossa biologia e comportamento. Gêmeos idênticos compartilham seu genoma inteiro, e gêmeos não-idênticos compartilham, em média, só metade da variação genética.

De acordo com os pesquisadores, as taxas de concordância em se possuir um cão são muito maiores em gêmeos idênticos que em não-idênticos, o que subsidia a hipótese de que a genética realmente desempenha um papel importante na escolha de possuir um cão.

"O estudo tem grandes implicações à compreensão da história profunda e enigmática da domesticação de cães", explica o zooarqueólogo e coautor do estudo Keith Dobney, presidente de paleoecologia humana no Departamento de Arqueologia, Clássicos e Egiptologia da Universidade de Liverpool.

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