Topo

17 anos, 28 medalhas, 8 h de estudo diárias e 1 meta: brilhar na matemática

Arquivo Pessoal
A estudante gaúcha Mariana Bigolin Groff Imagem: Arquivo Pessoal
do UOL

Luciano Nagel

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

12/02/2019 04h00Atualizada em 12/02/2019 17h51

Aos 17 anos, a estudante gaúcha Mariana Bigolin Groff já venceu seis vezes a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, trocou o Rio Grande do Sul por uma escola do Ceará e estuda 8 horas por dia para enfrentar seu grande desafio: brilhar na olimpíada mundial de matemática para garotas. Mariana representará o Brasil 8ª European Girls Mathematical Olympiad, que acontece em abril em Kiev, na Ucrânia.

A estudante já conta com 28 medalhas nacionais e cinco internacionais em competições. Além do hexacampeonato na olimpíada nacional, ela também acumula medalhas nas áreas de Física, Astronomia, Química e Informática.

A matemática nos faz pensar para resolver problemas e isso nos ajuda muito na vida real. Com a matemática, aprendemos a solucionar os problemas. A matemática me ensinou muito a pensar de uma maneira lógica

Para se preparar para o mundial deste ano, Mariana trocou a rotina em uma escola pública no interior do Rio Grande do Sul por uma bolsa de estudos em um colégio particular de Fortaleza.

"No Rio Grande do Sul, em comparação aos outros Estados, não tem nenhuma escola privada de bom nível que treine os alunos para este tipo de competição (olimpíadas)", conta ela. "Aqui na escola Farias Brito eu estudo cerca de 8 horas por dia. Tenho aulas pela manhã de segunda a sexta, e aproveito as tardes para estudar matemática."

Divulgação/Seduc-RS
Mariana Bigolin Groff (4ª da esquerda para direita) foi medalha de prata na Itália Imagem: Divulgação/Seduc-RS
Mariana conta que o interesse pela disciplina de matemática e a paixão por resolver questões surgiu aos 12 anos, quando ela cursava o 7º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Cardeal Roncalli, em Frederico Westphalen (RS). 

"Eu conhecia a matemática que eu estudava na escola, nada muito além disso. Aí, quando participei da primeira fase da olimpíada, acabei me interessando mais. Na época achei muito interessante as questões que eram colocadas e então comecei a estudar para essas provas", conta Mariana, que cursou o ensino fundamental em escola pública.

A gaúcha atribui os méritos que vem conquistando ao apoio da família e da ex-diretora da escola, Roze Lara Grassi. "Quando eu estudava em Frederico Westphalen eu tinha apoio da direção da escola. Se eu queria participar de uma olimpíada, a direção me ajudava, me incentivava."

Em abril de 2017, a estudante trouxe para o Brasil a medalha de bronze conquistada durante a Olimpíada Europeia de Matemática que ocorreu em Zurique, na Suíça. No ano seguinte, a adolescente ganhou outra medalha de bronze e uma menção honrosa, ocupando a segunda melhor colocação da América Latina no ranking de equipes.

"A Mariana sempre foi muito autônoma e serviu de exemplo para muitos alunos dentro da escola. Além de inteligente e muito determinada, ela incentivava os outros alunos", recorda a ex-diretora da Escola Estadual Cardeal Roncalli, em Frederico Westphalen.

Roze ressalta que mesmo com a falta de investimentos, a escola continua sendo referência para muitos alunos na região. "A qualidade da instituição e o incentivo dos professores e pais fazem com que muitos dos nossos alunos se tornem medalhistas. Mesmo com os salários atrasados, o nosso compromisso é com a sociedade, com nossos estudantes", diz ela. "Não há prêmio mais gratificante do que ter nossos alunos reconhecidos pelos estudos."

De acordo com a atual direção da escola, em 2018, 15 alunos do ensino fundamental e médio conquistaram medalhas na disputa de olimpíadas regionais e nacional nas áreas de matemática, química, física, astronomia e robótica.

A seleção brasileira de alunas que vão disputar medalha em Kiev conta ainda com as alunas do ensino médio: Ana Beatriz Cavalcante Pires de Castro Studart, de Fortaleza, Maria Clara de Lacerda Werneck, do Rio de Janeiro, e Bruna Arisa Shoji Nakamura, de Indaiatuba (SP).

Mais Notícias