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1 mês

Detido na Itália líder separatista catalão Carles Puigdemont

23/09/2021 20h53

Madri, 23 Set 2021 (AFP) - Carles Puigdemont, que foi presidente do governo regional catalão durante a declaração de independência frustrada de 2017, foi detido na ilha italiana da Sardenha (oeste) nesta quinta-feira (23) após quatro anos foragido da justiça espanhola.

"O Presidente Puigdemont foi detido em sua chegada à Sardenha, onde estava como eurodeputado", anunciou no Twitter seu advogado, Gonzalo Boye, destacando que a detenção ocorreu em cumprimento a uma ordem europeia de detenção de 14 de outubro de 2019.

Puigdemont, atualmente eurodeputado, está baseado em Bruxelas desde 2017 e viajou a Alguer, na Sardenha, para participar de um festival de cultura catalão, explicou o encarregado de seu gabinete, Josep Lluis Alay.

"Quando chegou ao aeroporto de Alguer, foi retido pela polícia fronteiriça italiana", explicou Alay nas redes sociais.

"Amanhã (sexta-feira), o presidente será colocado à disposição dos juízes da corte de apelação de Sassari, que é competente para decidir por sua libertação ou extradição", acrescentou Alay.

O governo espanhol do socialista Pedro Sánchez, imerso em um processo de diálogo com o governo catalão, se limitou a comentar que a detenção "obedece a um procedimento judicial em curso que aplica a qualquer cidadão na União Europeia que deve responder por seus atos".

Neste sentido, "manifesta seu respeito às decisões das autoridades e tribunais italianos, assim como sempre fez com os tribunais espanhóis e europeus".

Nas redes sociais apareceram convocações separatistas a manifestações em frente ao consulado italiano em Barcelona e outro líder separatista, Quim Torra, pediu a seus correligionários a "estar em alerta máximo porque a possível extradição de Puigdemont seria catastrófica", em declarações à emissora catalã TV3.

Puigdemont, de 58 anos, chegou inesperadamente à presidência do governo regional catalão em 2016, da prefeitura de Girona, pela renúncia de Artur Mas, após ocupar postos distantes da liderança nas listas das eleições regionais.

Coube a ele liderar um movimento separatista em plena efervescência que não estava disposto em 2017 a se conformar com menos do que a secessão.

Após proclamá-la e suspendê-la à espera de negociações, o governo espanhol de Mariano Rajoy interveio na administração regional e convocou eleições autônomas, invalidando a tentativa.

- Sem imunidade parlamentar -Puigdemont se estabeleceu em Bruxelas, reivindicado pela justiça espanhola, em contraste com seus companheiros do governo que acabaram sendo julgados, como seu vice-presidente Oriol Junqueras, condenado a 13 anos de prisão, e finalmente indultado em 2021 pelo governo espanhol de Pedro Sánchez, como os demais indiciados.

Enquanto eurodeputado, Puigdemont deveria normalmente gozar de imunidade, mas o Tribunal Geral da União Europeia decidiu no fim de julho que não era o caso, e manteve a suspensão de sua imunidade legislativa decidida pelo Parlamento Europeu.

Estavam na mesma situação outros dois eurodeputados catalães, Toni Comín e Clara Ponsatí.

O tribunal rejeitou os argumentos apresentados por considerar que não demonstraram com "grau de probabilidade suficiente" os temores de perseguição judicial ou detenção.

A justiça espanhola acusa Puigdemont de sedição e malversação de recursos pela tentativa de independência da Catalunha em 2017, e exige sua extradição.

A corte destacou que "nada permite considerar que as autoridades judiciais belgas ou que as autoridades de outro Estado-membro [da UE] possam executar as ordens de detenção europeias proferidas contra os deputados e entregá-los às autoridades espanholas", razão pela qual não está claro o que o tribunal italiano que o ouvirá na sexta-feira vai decidir.

A detenção de Puigdemont provocou um terremoto de reações na política espanhola.

"A Espanha dialoga sempre da mesma maneira", lamentou nas redes sociais seu sucessor, Quim Torra.

O líder da oposição, o conservador Pablo Casado pediu que seja julgado na Espanha e lançou uma mensagem ao presidente do governo: "Puigdemont deve ser julgado na Espanha por seu golpe à legalidade constitucional e Sánchez deve se comprometer a respeitar a sentença da Justiça sem indultos em troca de permanecer no poder".

mig-al/eg/mvv

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