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Policial morto no Jacarezinho era tutor da mãe acamada vítima de AVC

André Leonardo Mello Frias, 48, policial civil morto no Jacarezinho - Arquivo Pessoal
André Leonardo Mello Frias, 48, policial civil morto no Jacarezinho Imagem: Arquivo Pessoal
do UOL

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

07/05/2021 17h01

O inspetor André Leonardo Mello Frias, 48, morto na operação de ontem (6) no Jacarezinho, na zona norte do Rio, que deixou ao menos 25 mortos, atuava havia nove anos na Polícia Civil. Sepultado na tarde de hoje, ele gostava de armas e de participar de operações.

Filho único, Frias era tutor da mãe que está acamada devido a um AVC (Acidente Vascular Cerebral). O pai dele já é falecido. Ele deixa uma companheira e um enteado de 10 anos.

O delegado Marcus Amin, titular da Dcod, estava com ele no momento do disparo. "Ele foi vítima de uma emboscada, um ataque para executar policiais. Um deles foi atingido no braço e ele foi atingido fatalmente na cabeça. Não foi troca de tiros. Foi uma emboscada. Eles prepararam o terreno para emboscar policiais", relatou.

A Coligação dos Policiais Civis do Rio de Janeiro disse ao UOL que está trabalhando para dar suporte à mãe do policial.

"Estamos acompanhando a questão de pensão e seguro de vida. No momento, a situação da mãe nos preocupa muito, ela está em uma condição muito vulnerável e não tem mais o único filho. Era só ele e ela. Estamos buscando parentes próximos", disse a policial e diretora de comunicação da coligação, Aline Cavalcante.

O policial —que já integrou a Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) e a DRFC (Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas)— foi descrito por colegas como competente e determinado. Desde o ano passado, ele atuava na Dcod (Delegacia de Combate às Drogas), que integrou a operação no Jacarezinho.

"Um rapaz sério e, ao mesmo tempo brincalhão, mas muito compenetrado, muito detalhista, excelente companheiro. Levava a profissão muito a sério. Ele tinha um sentimento de equipe muito grande, estava sempre preocupado com quem estava com ele", descreveu Aline, que trabalhou com Frias na Core.

Dinâmica da operação no Jacarezinho

O policial foi atingido na cabeça logo no início da operação, quando oito policiais deixaram o blindado e seguiram a pé na comunidade para retirada de barricadas que impediam a circulação do veículo. Frias levado para o Hospital Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu.

Segundo o chefe do Departamento-Geral de Polícia Especializada, Felipe Curi, a única morte arbitrária que ocorreu no local foi a de Frias.

"Eram cerca de oito policiais nessa patrulha. Eles progrediram e se depararam com um beco e, no final, tinha uma barricada, uma construção de concreto com furos para que eles [criminosos] pudessem colocar o fuzil e, ao mesmo tempo, ficarem protegidos da polícia."

"Nesse momento, aconteceu a única execução dessa operação que foi quando o colega foi morto", afirmou Curi em entrevista coletiva na Cidade da Polícia.

Na ação, outros dois policiais ficaram feridos. Um foi atingido na panturrilha e outro de raspão no braço. De acordo com a Polícia Civil, os outros 24 mortos no Jacarezinho eram criminosos. Moradores da comunidade dizem ter testemunhado "execuções sumárias" por policiais.

Trata-se da operação mais letal da história do Rio. A ação ocorreu mesmo com a determinação do STF (Supremo Tribunal Federal) que restringe operações durante a pandemia.

A operação ocorreu para cumprir 21 mandados de prisão de suspeitos de integrar o Comando Vermelho. Desses, apenas três foram cumpridos e outros três alvos foram mortos.

Outras três pessoas também foram presas. Foram apreendidas: 16 pistolas, 6 fuzis, 12 granadas, 1 submetralhadora, 1 escopeta calibre 12 e munição antitanque ativa que se assemelha a um míssil.

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