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Como ficam o negócio e as ações da dona de KFC e Pizza Hut no Brasil?

KFC muda slogan em tempos de pandemia do coronavírus - Reprodução/YouTube
KFC muda slogan em tempos de pandemia do coronavírus Imagem: Reprodução/YouTube
do UOL

Daniele Madureira

Colaboração para o UOL, de São Paulo

06/05/2021 04h00

A International Meal Company (IMC), dona de marcas como Pizza Hut e KFC, já viu dias melhores. Com uma rede de 495 restaurantes (247 próprios) no Brasil, Estados Unidos, Colômbia e Panamá, a companhia demitiu 4.000 pessoas (41% dos funcionários) em 2020. A receita líquida do ano passado caiu 28% em relação a 2019, atingindo R$ 1,15 bilhão. O prejuízo disparou 30 vezes, chegando a R$ 473,6 milhões.

Mas o pior mesmo veio quando a empresa decidiu conversar com os seus parceiros nos acordos de master franquia das marcas Pizza Hut e KFC no Brasil. Veja como ficam os negócios e as ações da empresa aqui no Brasil.

Disputa na Justiça sobre exclusividade

Com a Pizza Hut, o diálogo envolvendo a alteração de metas e prazos de abertura de lojas foi tranquilo. Com a dona da KFC, porém, o pedido para desacelerar a abertura de lojas, diante dos efeitos da crise do novo coronavírus no setor de alimentação, soou indigesto e a conversa foi parar na arbitragem.

Tanto Pizza Hut quanto KFC pertencem ao mesmo conglomerado, a americana Yum! Brands, que nasceu como uma divisão de restaurantes fast food da PepsiCo, antes de se tornar um negócio independente.

Na Justiça, a KFC pediu o fim do direito de exclusividade da marca no Brasil para a IMC. A 2ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem da Comarca de São Paulo negou, mas permitiu que a KFC busque novos interessados na marca.

No entanto, o direito da IMC de explorar sozinha o nome está mantido, até que seja constituído um tribunal arbitral para julgar o caso, o que não tem data para acontecer. Com base no fechamento de sexta (30/04), a ação da IMC caiu 11,16% no ano.

Novo presidente ligado a Lemann

No início deste mês, a IMC trocou de presidente: saiu Newton Maia e entrou Alexandre Santoro, ex-presidente da rede de fast-food americana Popeyes.

Santoro é um nome ligado ao 3G Capital, megafundo investidor comandado pelos bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, que tem entre os seus negócios a RBI, dona do Burger King e da Popeyes.

Procurada pelo UOL, a IMC não atendeu ao pedido de entrevista.

Muitas marcas, como Brunella, Viena e Olive Garden

Uma fonte próxima à empresa diz que Santoro tem nas mãos a missão de acelerar a venda das marcas secundárias do grupo, que não são poucas: Olive Garden, Batata Inglesa, Brunella, Espresso Mineiro, J&C Delícias, Margaritaville, Sports Drinks'n'Snacks, Black Coffee, Eat & Co., LandShark Bar&Grill e a própria Viena - que representaria um modelo em crise de restaurantes por quilo, especialmente neste momento de pandemia.

A ideia é se concentrar em Frango Assado, rede de restaurantes forte nas rodovias, mas com atuação centrada até agora no Estado de São Paulo, nas marcas de fast food KFC e Pizza Hut, e manter a RA Catering, especializada em refeições rápidas para empresas aéreas.

Ampliar Frango Assado, Pizza Hut e KFC

Uma das insatisfações do conselho com o trabalho de Newton Maia estava na lentidão em se desfazer dos ativos, diz a fonte. Ainda assim, analistas que acompanham a IMC dizem que Maia fez o que pôde para recolocar o grupo nos trilhos em um ano de pandemia.

A companhia aprimorou o mapeamento de pontos para a expansão de Pizza Hut e KFC junto à Geofusion; criou um formato de lojas para a Pizza Hut, a Smallbox, focado em delivery e pedidos para viagem; fechou uma parceria com a rede de postos de estrada Monte Carlo para retomar o crescimento da rede Frango Assado, que ficou estagnado em 2020; e assinou uma parceria com a Raízen, dos postos Shell, para a expandir as operações do Frango Assado no Sul e Sudeste do país.

Obras e planos em andamento

Segundo informações divulgadas pela IMC no final de março, na apresentação de resultados de 2020, a empresa está em obras para quatro novas lojas do Frango Assado e tem carta de intenção assinada para mais quatro.

Com a bandeira Pizza Hut, há 29 novas lojas com obras iniciadas ou com o contrato de aluguel negociado, mesma situação de 31 lojas da KFC. Nos Estados Unidos, a empresa mantém cinco unidades em construção, que serão inauguradas entre este ano e o próximo.

Lentidão para enfrentar pandemia

Na opinião de Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, parte do prejuízo da companhia em 2020 se deve à lentidão ao enfrentar efeitos da covid-19

É claro que o segmento de food service foi o que mais sofreu em 2020, mas outros competidores, como o grupo Ráscal, foram muito mais ágeis em se reinventar no novo cenário.
Ana Paula Tozzi

Alberto Serrentino, consultor em varejo e sócio da Varese Retail, diz que os problemas da IMC não começaram na pandemia.

Há sempre complexidade nas empresas que optam pelo crescimento horizontal, a partir das aquisições de negócios com culturas e modelos operacionais distintos.
Alberto Serrentino

Boas marcas

A IMC foi criada em 2006 pelo Advent, que em 2007 comprou a RA Catering e a Viena. Em 2008, foi comprado o Frango Assado. Até 2014, houve um forte período de crescimento baseado em fusões e aquisições. Entre 2015 e 2019, os resultados começaram a piorar e algumas marcas foram vendidas. A chegada de KFC e Pizza Hut ocorreu em 2019.

Serrentino diz que a IMC tem boas marcas e operações consolidadas.

Agora é o momento de racionalizar, dar um passo atrás [com a venda de ativos], para depois dar alguns à frente.
Alberto Serrentino

De olho na ação

A pandemia pode ter sido uma bomba para todos do food service, mas não é o motivo para a ação da IMC na Bolsa parecer insossa ao mercado. Negociada na casa dos R$ 3,75 hoje, a ação chegou a valer R$ 24 em 2013. Despencou na sequência, atingindo um patamar de R$ 4, em 2015, no auge do endividamento com as compras.

Para os analistas Larissa Pérez, Marcella Ungaretti e Leonardo Alencar, da XP Investimentos, a IMC precisa ter menos marcas e se concentrar nas melhores.

Vemos com bons olhos o processo de simplificação de portfólio que a empresa vinha promovendo pré-pandemia, mas precisamos de mais sinais de que tal processo deva continuar no médio prazo.
Relatório da XP Investimentos sobre a IMC

Marco Saravalle, estrategista-chefe da Sara Invest, considera o KFC e a Pizza Hut importantes oportunidades de crescimento, O Frango Assado depende do movimento das estradas.

[KFC e Pizza Hut] são negócios que podem continuar crescendo na pandemia, mesmo com a restrição do funcionamento dos shoppings, a partir de serviços como o delivery
Marco Saravalle

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