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1 mês

Três funcionárias de emissora de TV são mortas no Afeganistão

02/03/2021 22h38

O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou o assassinato de três funcionárias de uma emissora de televisão em Jalalabad, leste do Afeganistão, menos de três meses após o assassinato de uma das apresentadoras do mesmo veículo de comunicação, informou a agência norte-americana SITE, especializada no monitoramento de grupos jihadistas.

"Esta tarde, um grupo de homens armados atirou e matou três de nossas colegas, três jovens com entre 17 e 20 anos, na cidade de Jalalabad", disse à AFP Zalmai Latifi, diretor da Enikaas TV, explicando que as jovens foram baleados quando deixavam a pé o trabalho.

O EI assumiu a autoria dos assassinatos em um comunicado divulgado por SITE na noite desta terça-feira.

"Soldados do califado atacaram três jornalistas que trabalhavam para um dos meios de comunicação leais ao apóstata governo afegão", admitiu o grupo jihadista.

Kayhan Safi, chefe do departamento de dublagem da Enekaas TV, onde trabalhavam as jovens Shahnaz, Sadia e Mursal, relatou que elas foram mortas quando deixavam o trabalho e voltavam para casa.

O EI reivindicou em dezembro a autoria do assassinato de Malalai Maiwand, uma apresentadora de televisão e ativista que trabalhava para a Enekaas TV, que também foi morta a tiros com seu motorista em Jalalabad quando ia para o escritório.

O grupo jihadista, apesar de ter se enfraquecido nos últimos anos, ainda está presente no leste do país, às vezes reivindicando atentados suicidas e assassinatos em grandes cidades como Cabul.

O chefe da polícia de Nangarhar, Juma Gul Hemat, informou que um suspeito armado foi capturado pouco depois do ataque.

"Conseguimos detê-lo quando tentava escapar", disse Hemat. "Ele admitiu que realizou o ataque. É membro dos talibãs", acrescentou.

No entanto, um porta-voz dos rebeldes negou que estivessem envolvidos.

Zahir Adel, porta-voz do hospital de Nangarhar, confirmou que os corpos das três vítimas foram levados para o centro, assim como de outras duas mulheres feridas.

"Apesar desses ataques covardes e o terror, o Talibã não pode silenciar as vozes que falam em voz alta para defender a República e as conquistas das últimas duas décadas", disse o presidente afegão Ashraf Ghani.

Sete colaboradores da imprensa perderam a vida em 2020 e outro em 2021, de acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas Afegãos (ASCJ).

"Investigações profundas"

A violência no Afeganistão aumentou nos últimos meses, apesar das negociações de paz iniciadas em setembro entre o Talibã e o governo afegão.

Jornalistas, ativistas, juízes e outros membros proeminentes da sociedade civil foram alvos de uma onda de assassinatos em todo o Afeganistão, forçando muitos deles a se esconderem ou fugirem do país.

Apesar das reiteradas denúncias do governo central, os talibãs insistem que não são responsáveis pelo clima de violência, ao qual contribuem também os sangrentos atentados dos grupos jihadistas.

O enviado americano para o Afeganistão, Zalmay Khalilzad, se reuniu na segunda-feira em Cabul com o presidente afegão, Ashraf Ghani, para tentar redirecionar o processo de paz, ameaçado pela violência e pelas dúvidas sobre a retirada das tropas estrangeiras.

Essa é a primeira visita de Khalilzad ao Afeganistão desde que foi confirmado em suas funções no final de janeiro pelo novo presidente Joe Biden.

Nomeado pelo ex-presidente Donald Trump, este diplomata veterano foi o arquiteto do acordo assinado por Washington com os talibãs em fevereiro de 2020 em Doha, que prevê a retirada completa das tropas estrangeiras do Afeganistão até maio de 2021.

Este acordo também permitiu a abertura em setembro em Doha de negociações de paz entre os insurgentes e o governo afegão.

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