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Crescem assassinatos no país, apesar da pandemia

19/10/2020 20h29

Rio de Janeiro, 19 Out 2020 (AFP) - O número de assassinatos no Brasil aumentou 7,1% no primeiro semestre do ano, apesar das medidas de distanciamento social aplicadas para conter o coronavírus, revela relatório publicado nesta segunda-feira (19).

"Foram registradas 25.712 mortes, o que representa uma pessoa assassinada a cada dez minutos em meio à pandemia de Covid-19, mesmo com as medidas de isolamento social no período", afirma o relatório da ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

"Os dados indicam uma interrupção de uma tendência de queda dos crimes violentos registrada a partir de 2018", informou o documento anual sobre segurança pública no país, território que há muito tempo registra altos níveis de violência.

Os autores do relatório disseram que é muito cedo para tirar conclusões definitivas sobre a alta nos homicídios, roubos e mortes decorrentes de intervenção policial, mesmo quando a pandemia manteve muitos brasileiros em casa.

Segundo eles, há necessidade de mais estudos sobre como os grupos criminosos cresceram em meio à pandemia e se o aumento do envio de drogas por via terrestre por causa da redução do tráfego aéreo possivelmente levou a mais conflitos nas rotas de tráfego.

"Neste momento ainda é difícil precisar o que é efeito das medidas de distanciamento social e o que não é", ressalta o relatório.

Em alguns casos, a pandemia pode ter feito com que menos crimes violentos fossem denunciados frente ao total que de fato ocorreu.

Por exemplo feminicídios aumentaram 1,9% durante o período, mas os relatos de agressões e ameaças contra mulheres diminuíram entre 9,9% e 15,8%, respectivamente.

"Pode ser reflexo da dificuldade das mulheres comparecerem às delegacias para o registro das ocorrências em meio às medidas rígidas de isolamento social", disse o relatório.

O aumento do homicídios dolosos "pode ser agravado ainda mais pela insistência em torno de medidas ineficazes como o afrouxamento de regras para armar a população", incentivada pelo presidente Jair Bolsonaro e "um discurso bélico permanente" sobre o crime, observou Renato Sergio de Lima, diretor da ONG.

O Brasil é o segundo país com mais mortes por coronavírus no mundo, atrás somente dos Estados Unidos, com quase 154 mil.

Desde que o primeiro caso foi detectado em fevereiro, os governadores e prefeitos impuseram quarentenas parciais, com pouca rigidez, com medidas que não foram seguidas, embora muito criticadas por Bolsonaro, argumentando que eram muito prejudiciais à economia.

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