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Miss é de novo aprovada por cota em medicina no AC 6 meses após ser vetada

Hyalina Lins Farias, Miss Acre Mundo 2018, aprovada na Ufac usando cota para deficiente físico - Reprodução/Instagram
Hyalina Lins Farias, Miss Acre Mundo 2018, aprovada na Ufac usando cota para deficiente físico Imagem: Reprodução/Instagram
do UOL

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL, em Ponta Grossa (PR)

06/08/2020 13h47Atualizada em 06/08/2020 13h55

Meses depois de ter o indeferimento da matrícula em Medicina na Universidade Federal do Acre (Ufac), a Miss Acre CNB 2018, Hyalina Lins Farias, 21, conseguiu novamente a aprovação no curso e usou pela segunda vez a cota destinada aos candidatos com deficiência física. O resultado saiu anteontem.

A modelo virou alvo de polêmica nas redes sociais em fevereiro deste ano por ter utilizado a mesma modalidade de cotas. Na ocasião, a UFAC vetou a matrícula depois avaliar os laudos apresentados.

Hyalina conseguiu novamente a vaga através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), mas desta vez foi convocada na terceira chamada e optou pela cota para pessoas com deficiência física independentemente da renda.

Na outra ocasião, a convocação saiu na segunda chamada e a miss escolheu a vaga destinada aos candidatos com deficiência e com renda inferior ou igual a 1,5 salário mínimo. Na época, a escolha gerou polêmica porque Hyalina costumava postar diversas fotos de viagens em suas redes sociais.

Segundo o edital de convocação dos aprovados, a miss obteve nota de 684,06 no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), classificando-se em segundo lugar na cota. Na concorrência geral, a modelo ficou na posição de número 499.

De acordo com o documento, Hyalina e os demais que usaram a cota deverão se matricular até amanhã. Eles ainda terão que passar por uma segunda fase, sendo submetidos à Comissão Permanente de Validação de Laudos Médicos de Pessoas com Deficiência. O candidato avaliado por esse colegiado perderá a vaga caso "não apresente os laudos e/ou atestados médicos comprovando seu quadro de deficiência".

Procurada pelo UOL, a Ufac informou que não comentará o caso da miss.

Miss diz não ver problema em nova aprovação

O UOL procurou Hyalina para comentar o motivo de usar novamente a cota mesmo tendo sido vetada na primeira ocasião e questionar se ela apresentará laudos novos.

Ela respondeu: "Qual o problema da nova aprovação? Várias pessoas são aprovadas nessa modalidade toda chamada".

A modelo não atendeu às ligações nem respondeu mais às mensagens. Ela também não forneceu o número da defesa.

Baixa visão e viagens pagas pelo namorado

Na primeira aprovação, internautas criticaram a escolha da Hyalina por duvidarem da deficiência da modelo e da renda mensal da jovem por causa de registros de viagens publicados em seu Instagram. Em fevereiro, ela contou ao UOL que estava desempregada, possuía baixa visão e que morava em Rio Branco com o pai autônomo, outros três irmãos menores de idade e a madrasta.

Hyalina disse que possui miopia desde os cinco anos de idade. O caso se agravou e atualmente estaria com 20 graus, sendo também diagnosticada com baixa visão. Para amenizar o problema, ela contou que usa lentes de contatos.

Sobre a renda, a miss contou que vivia de parcerias realizadas com marcas locais através de publicidade no Instagram e com vendas de itens pós-operatórios para as clientes do companheiro, que é médico. Ele também seria o responsável por bancar as viagens registradas em suas redes sociais.

Ufac vetou matrícula da miss

O indeferimento da matrícula da modelo ocorreu em 19 de fevereiro, após análise da documentação apresentada por Hyalina no ato da inscrição no curso.

Em nota, a UFAC afirmou, na ocasião, que "analisa todos os candidatos de maneira biopsicossocial. Ou seja, além de analisar os laudos médicos, os membros da comissão realizam entrevistas para comprovar se o candidato apresenta alguma condição que o caracteriza como pessoa com deficiência". A instituição ainda declarou que a banca analisou os candidatos sem qualquer "distinção".

A defesa da miss considerou em fevereiro a avaliação da Ufac como "absurda, inconstitucional, discriminatória e misógina", porque a Constituição Federal garante o direito à educação às "pessoas com deficiência de natureza física, mental, intelectual ou sensorial".

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