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A Selic caiu para o menor nível da história! Como investir agora?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

do UOL

05/08/2020 18h26

A Selic caiu mais uma vez! Dessa vez, ela foi reduzida de 2,25% para 2,00% ao ano com o intuito de combater os efeitos da crise e reaquecer a economia.

A projeção do Boletim Focus mais recente aponta que a Selic continuaria em 2% até o final do ano, mas o Banco Central não "fechou a porta" para a possibilidade de novos cortes, embora eles só devam ocorrer se houver piora significativa da crise, e não estarão suscetíveis a pequenas oscilações da economia.

Na prática, quanto mais baixa é a taxa de juros, menos atraentes ficam os investimentos de renda fixa. O que fazer com os investimentos a partir de agora?

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. E, neste artigo, bem como no vídeo acima, no qual respondo a perguntas ao vivo sobre o tema, vou traduzir o que essa queda da Selic significa para seus investimentos.

Já adianto que, mesmo assim, não dá para ficar de fora da renda fixa, mas tenho uma estratégia que inclui ativos de renda fixa que rendem mais de 10% ao ano, como alguns CDBs de menor liquidez, CCBs com garantias, e outros exemplos que irei mostrar hoje.

O que muda nos investimentos?

Como mencionei, os juros em níveis tão baixos tornam cada vez menos atraentes os investimentos da renda fixa, como títulos do Tesouro Direto ou mesmo outros títulos privados. De modo que, para buscar maiores rentabilidades, é necessário migrar parte dos investimentos para a renda fixa privada de menor liquidez (CDBs, LCIs, LCAs, Debêntures etc., que só permitam o saque lá na frente) ou ainda para a renda variável, como as ações, e outros investimentos alternativos.

Falando especificamente do Tesouro Selic, o investimento mais popular da renda fixa, ele está cada vez menos vantajoso. Mesmo assim, para a reserva de segurança, ainda continua valendo a pena.

A reserva de segurança é aquele investimento que serve para ser usado em qualquer surpresa ou imprevisto, em que é recomendável ter uma quantia entre seis e 12 meses dos seus gastos normais, que precisa estar disponível para saque a qualquer momento, e não pode ser volátil, como as ações, para que não haja prejuízo na hora do saque.

Assim, não recomendo que você tire sua reserva de segurança do Tesouro Selic, do seu CDB de liquidez diária (desde que renda mais que 100% do CDI) ou da sua Nuconta.

Esses investimentos não trarão um retorno extraordinário, é verdade. Mas o papel da reserva de segurança é, como o nome diz, dar segurança e a tranquilidade de poder contar com esse dinheiro a qualquer momento que precisar, não buscar altos retornos em investimentos mais arriscados.

Mas, daí em diante, temos que buscar rendimentos melhores, atrelados a maiores riscos e menor liquidez.

Traduzindo, você pode correr um pouco mais de risco com o dinheiro investido que sabe que não vai precisar no curto prazo. Até porque o risco do sobe e desce dos investimentos perde importância quando se mira em prazos maiores de retorno.

Não faça nada, por enquanto

Mesmo assim, não há motivo para desespero. Ainda que os juros da renda fixa estejam menores, a inflação também é muito menor do que antes.

A projeção de inflação para 2020 está abaixo de 2% na data que escrevo esse artigo (1,63%, para ser mais exato). Assim, o rendimento de um título como o Tesouro Selic continua acima da inflação. Pouco acima, mas ainda acima.

Apesar de, recentemente, os investimentos no Tesouro Selic terem sido isentos da taxa de custódia para investimentos de até R$ 10 mil, para quantias maiores a incidência ainda persiste, bem como a obrigação do pagamento de Imposto de Renda sobre os rendimentos.

Descontando tudo isso, bem como o efeito da inflação, o retorno real esperado para investimentos no Tesouro Selic está levemente positivo para investimentos de até R$ 10 mil, mas começam a perder essa pequena vantagem conforme o volume investido aumenta, a ponto de os juros reais se tornarem negativos dependendo do valor investido, o que reforça a necessidade de diversificar os investimentos, em busca de melhores retornos, depois de montar a reserva de segurança.

Reserva de segurança OK. Onde investir depois?

Com a reserva de segurança em dia, diversificar os investimentos em outros títulos de renda fixa com menor liquidez (que só permitem saque em data mais distante) e com um pouco mais de risco, trarão rendimentos melhores que a Selic.

É bom lembrar que, por exemplo, CDBs de bancos pequenos ainda podem ser encontrados com taxas prefixadas de mais de 10% ao ano, muito acima da Selic, mas sem liquidez imediata.

Qualquer CDB é protegido pelo FGC até o valor de R$ 250 mil por investimento, e limitado a R$ 1 milhão por CPF, o que torna esse investimento muito seguro, mas não adequado para a reserva de segurança, caso não haja liquidez imediata.

Para encontrar os títulos com os melhores retornos, o App Renda Fixa é um aplicativo que mostra todas as opções de investimentos, disponíveis em todas as corretoras, depois que você informar quanto quer investir e por quanto tempo.

Quer investir R$ 1.000 por 12 meses? O app elenca todas as opções de títulos de renda fixa, desde o Tesouro Direto aos privados, Tesouro Direto, CDBs, CCBs, LCIs e Debêntures, informando o tamanho do risco, o retorno esperado e outras informações.

Além disso, há investimentos de renda fixa alternativos, tais como os CCBs da MatchMoney, com selo de segurança da ABFintechs e rendimentos de mais de 400% do CDI.

Eles disponibilizam empréstimos às empresas com juros mais baixos, que deixam um imóvel como garantia (o que permitiu que eles tenham inadimplência zero), enquanto é possível investir na renda fixa com essa segurança, aumentando a rentabilidade da carteira, sem estar tão exposto à possibilidade de nova queda da Bolsa.

Outra opção que busca aumentar a rentabilidade sem expor tanto ao risco é a Magnetis, que monta uma carteira diversificada para o investidor, incluindo ações brasileiras e internacionais, fundos de investimento e títulos de renda fixa.

Além disso, vale a pena começar a estudar investimentos em ações, fundos imobiliários e outros fundos de investimentos, para buscar melhores rentabilidades. É importante que esses investimentos estejam alinhados aos prazos que você traçou para usar o seu dinheiro aplicado, além de entender direitinho a que risco estará exposto em cada ativo investido.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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