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Restrições retornam para milhões de pessoas e a pandemia se agrava nos EUA

15/07/2020 22h03

Washington, 16 Jul 2020 (AFP) - Milhões de pessoas enfrentavam novas restrições nesta quarta-feira (15), com o avanço da pandemia de coronavírus em várias partes do mundo, principalmente nos Estados Unidos, o país mais afetado do planeta, onde os cientistas preveem um agravamento.

A epidemia também se intensifica na América Latina e no Caribe, que superou 150.000 mortes por COVID-19 nesta quarta-feira. Na região, enquanto alguns governos determinam novas restrições, outros decidem reabrir suas economias paralisadas para conter a fome e a miséria.

Vários países, da Espanha à Austrália, impuseram novamente confinamentos para conter novos surtos. Desde que a pandemia surgiu no ano passado na China, mais de 13,4 milhões de casos e 581.554 mortes foram registrados em todo o planeta.

Nos Estados Unidos, que tem o maior número de óbitos no mundo (mais de 137.000) e de casos (mais de 3,49 milhões), foi registrado um novo recorde de mais de 67.600 contágios em 24 horas.

Governadores que haviam encerrado o confinamento estão recuando.

De acordo com os modelos gerenciados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), em agosto o número total de mortes nos Estados Unidos pode superar 150.000.

Os pesquisadores argumentam, no entanto, que o uso massivo de máscaras poder salvar 40.000 vidas até novembro.

Até a semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, resistiu ao uso da máscara e chegou a ironizar seus adeptos.

Mas o uso da proteção facial prevalece no país. O maior varejista do mundo, o Walmart, informou que exigirá que seus clientes usem máscaras em todas as lojas a partir de 20 de julho para ajudar a impedir a propagação do vírus.

Com a decisão, o Walmart se une a um número crescente de empresas americanas que adotaram determinações semelhantes.

A rede possui mais de 5.300 lojas no país e cresce principalmente nos estados do oeste e do sul, onde a pandemia está atualmente mais avançada.

- Entre o vírus e a fome -Na América Latina, os números são particularmente preocupantes.

A região supera 3,5 milhões de casos de COVID-19 e é a segunda com mais óbitos depois da Europa, onde a pandemia deixou mais de 203.000 mortos.

No Brasil, o número de casos confirmados chegou a 1.966.748 (+39.924 com relação à terça-feira) e 75.366 óbitos (+1.233).

Na Venezuela, o governo decidiu nesta quarta-feira uma "radicalização" do confinamento em Caracas e no estado vizinho de Miranda diante do avanço da pandemia.

El Salvador descartou prosseguir com a reabertura da economia diante de um aumento incessante de casos, que chegou a 10.645 nesta quarta-feira, com 286 mortes.

O Peru continua sendo um dos países mais afetados da região e ocupa o segundo lugar no total de casos, com mais de 337.000, atrás do Brasil, e o terceiro em mortes, depois do Brasil e do México, com 12.417. Ainda assim, o Executivo resolveu nesta quarta-feira retomar o transporte aéreo e terrestre doméstico.

A economia peruana está em colapso (caiu 32,75% em maio) e o governo se mostrava inclinado a continuar com a reabertura após 120 dias de confinamento.

- Ameaça mortal -Partes da região Ásia-Pacífico, que tiveram algum sucesso no combate à pandemia, mostram que o vírus ainda representa uma ameaça mortal.

Em Hong Kong, com o reaparecimento de surtos, bares, academias e salões de beleza foram fechados novamente nesta quarta-feira. Reuniões de mais de quatro pessoas foram proibidas e o uso obrigatório de máscaras no transporte público entrou em vigor.

Também houve alarme no Japão, onde a governadora de Tóquio informou que a capital estava em seu nível mais alto de alerta.

No estado indiano de Bihar, habitado por cerca de 125 milhões de pessoas, foi anunciado um confinamento de 15 dias a partir de quinta-feira.

No mesmo dia, a África do Sul restabelece o toque de recolher para evitar uma "tempestade de coronavírus".

- "Por favor, parem" -Na Austrália, as autoridades pediram à população respeito às medidas de distanciamento social.

Em Melbourne, onde cerca de 5 milhões de pessoas estão confinadas desde a semana passada para tentar conter um surto, um grupo de pessoas foi multado por organizar uma mega festa.

"Nossa preocupação é com festas e reuniões sociais", disse Rick Nugent, comissário interino do estado de Victoria, e pediu à população que esteja ciente dos riscos: "Por favor, parem".

Na Europa, as máscaras serão obrigatórias em lojas e supermercados na Inglaterra a partir da próxima semana. A Disneyland Paris, a maior atração turística privada da região, reabriu, mas com inúmeras restrições.

Autoridades da UE alertaram os governos da região a se prepararem para uma segunda onda de infecções que deve coincidir com a temporada de gripe no inverno.

"O vírus ainda está entre nós", disse a comissária da UE Margaritis Schinas.

As poucas notícias boas nas últimas horas vieram dos Estados Unidos, onde a empresa de biotecnologia Moderna anunciou a fase final do ensaio clínico de sua vacina COVID-19, que será testada em 30.000 pessoas no país em 27 de julho.

O estudo será realizado até outubro de 2022, mas os resultados preliminares serão divulgados muito antes.

A Moderna planeja produzir pelo menos 500 milhões de doses por ano.

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