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EUA recua na abertura com avanço da pandemia, que assola a América Latina

13/07/2020 21h55

Los Angeles, 14 Jul 2020 (AFP) - Os contagiados pelo novo coronavírus alcançaram nesta segunda-feira (13) os 13 milhões em todo o mundo, enquanto a pandemia obriga os Estados Unidos a recuar em sua reabertura e avança na América Latina e no Caribe, que se tornou a segunda região do planeta com mais mortos por COVID-19.

Em nível global, a doença causou 569.990 mortes e 13.000.166 contágios, segundo contagem da AFP.

Os Estados Unidos seguem na liderança dos balanços, com 135.582 falecidos e 3,36 milhões de contágios.

O avanço implacável da doença na primeira economia do mundo levou nesta segunda ao fechamento de salões de restaurantes, bares e cinemas em toda a Califórnia, além de igrejas, academias de ginástica, shopping centers e salões de beleza nos 30 condados mais afetados do estado, inclusive Los Angeles.

O retrocesso se dá em meio a um intenso debate sobre as medidas restritivas, inclusive a reabertura de escolas, entre autoridades políticas e de diferentes jurisdições.

As discussões e as pressões do governo Donald Trump para a retomada das atividades impediram uma resposta coerente diante do avanço do vírus, que bateu um recorde de contágios diários em vários estados nos últimos dias.

Autoridades de Houston, a maior cidade do Texas, por exemplo, pediram um novo confinamento depois da detecção de 1.600 novos casos em 24 horas. Mas o governador do estado, o republicano Greg Abbott não cedeu.

- Alta "alarmante" de casos na Colômbia -Enquanto isso, a COVID-19 atinge igualmente a região da América Latina e Caribe, que com 144.847 mortos superou em número de mortos Estados Unidos e Canadá (144.246), e ficou atrás apenas da Europa (202.780).

O Brasil é o país mais afetado da região e o segundo do mundo, com 72.833 mortes e quase de 1,9 milhão de contagiados, entre eles o presidente Jair Bolsonaro, reticente a medidas de confinamento.

Em 24 horas, foram registrados no país 20.286 novos casos, sendo 733 de novos óbitos.

O restante da América Latina tampouco tem trégua. Alguns países, como a Colômbia, revisam suas medidas de flexibilização.

No país, 3,5 milhões de pessoas voltaram nesta segunda ao confinamento, devido a uma alta alarmante de casos, segundo as autoridades. Até 23 de agosto, a capital, Bogotá, terá quarentenas de 14 dias por localidades (conjuntos de bairros), quando o balanço oficial alcança 154.277 infectados e 5.455 falecidos no país.

Na Bolívia, onde cinco ministros se contagiaram, além da presidente interina Jeanine Añez, o governo intervirá em hospitais e cemitérios particulares ante o risco de colapso dos serviços públicos sanitários e funerários, anunciou o governo nesta segunda.

Enquanto isso, o México anunciou no domingo que o vírus havia deixado 35.006 mortos no país, superando a Itália em número de óbitos (34.954).

Apesar disso, o presidente Andrés Manuel López Obrador disse nesta segunda que em 23 dos 32 estados mexicanos o número de casos se encontra estável ou em declínio.

"Agora, já temos que sair à rua", disse, assegurando que os trabalhadores informais precisam fazê-lo e pedindo aos cidadãos que se cuidem.

A Argentina também lamentou uma alta pronunciada de casos ao superar os 100.000, 95% deles na Região Metropolitana de Buenos Aires.

Os fechamentos se combinam com uma flexibilização seletiva no Chile, onde 18 clubes de futebol profissional em áreas em quarentena foram autorizados a retomar os treinamentos.

O Peru superou nesta segunda os 12.000 óbitos, dois dias antes da retomada dos transportes interestaduais terrestres e aéreos. Apesar do impacto da pandemia, as autoridades preveem reabrir restaurantes no dia 20 com 40% de sua capacidade e retomar as visitas à cidadela inca de Machu Picchu no dia 24.

- Sem volta rápida à normalidade -Dada a situação na América Latina e os retrocessos na Europa, onde novos confinamentos por recidivas geraram polêmicas, a OMS jogou um balde d'água fria nas expectativas de um retorno rápido à normalidade com um novo alerta, um dia depois de reportar um recorde diário de 230.000 novos contágios no mundo.

"O vírus segue sendo o inimigo público número um, apesar das ações de muitos governos e pessoas não o refletirem", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O chefe da OMS voltou a pedir foco na prevenção dos contágios com as pautas sanitárias conhecidas, como o uso de máscaras, ao que Trump cedeu pela primeira vez em público no sábado.

"Quero ser franco com vocês: não haverá um retorno à normalidade em um futuro previsível", advertiu Ghebreyesus.

Na Espanha, os moradores de Lérida e sete comunidades vizinhas na Catalunha (nordeste) deveriam manter um confinamento domiciliar a partir desta segunda, mas um tribunal pôs a determinação em suspenso.

Em resposta, o presidente catalão, Quim Torra, disse que emitirá um decreto lei para dar cobertura jurídica aos confinamentos.

Neste contexto de recidivas, várias regiões, como a Catalunha e as ilhas Baleares, decidiram reforçar a obrigatoriedade do uso de máscaras.

A Hungria, por sua vez, proibirá a partir de terça-feira o acesso de viajantes latino-americanos, africanos e da maioria dos países asiáticos e de alguns europeus.

- Volta das restrições -Em outras regiões do mundo, as restrições também voltaram, como na África do Sul, que reinstaurou um toque de recolher após registrar 12.000 novos casos diários nas últimas semanas. O Marrocos seguiu na mesma direção, ao fechar Tânger.

As Filipinas também confinaram 250.000 pessoas em Manila e Hong Kong impôs a partir desta segunda novas medidas para impedir novos surtos. Entre outras coisas, estão vetadas reuniões com mais de quatro pessoas e se tornou obrigatório o uso de máscaras nos transportes.

No campo econômico, o impacto dos confinamentos e a queda do petróleo continuam produzindo prognósticos sombrios: o Fundo Monetário Internacional degradou as previsões de crescimento no Oriente Médio ao seu menor nível em 50 anos.

As economias do Oriente Médio e do norte da África encolherão, em média, 5,7% este ano, com quedas de até 13% nos países em guerra.

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