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Autorização de ajuda transfronteiriça da ONU na Síria expira

11/07/2020 08h46

Nações Unidas, Estados Unidos, 11 Jul 2020 (AFP) - A autorização da ONU que permitia desde 2014 uma ajuda transfronteiriça à Síria expirou na sexta-feira sem que o Conselho de Segurança, profundamente dividido, conseguisse prorrogar a assistência humanitária vital para milhões de pessoas.

A Rússia fracassou na tentativa de conseguir com que o Conselho de Segurança da ONU aprovasse uma redução da ajuda humanitária transfronteiriça para a Síria, ao não conseguir um número suficiente de votos.

O dispositivo transfronteiriço da ONU permite levar ajuda humanitária aos sírios sem a necessidade de obter a provação de Damasco.

Segundo diplomatas, o projeto russo, que contemplava a supressão de um ponto de acesso à Síria, teve quatro votos favoráveis (Rússia, China, Vietnã e África do Sul), sete contrários (Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Estônia e República Dominicana) e quatro abstenções (Indonésia, Tunísia, Nígero e São Vicente e Granadinas).

Em uma tentativa anterior, na quarta-feira, a proposta de Moscou já tinha tido o mesmo resultado.

Uma votação sobre uma proposta apresentada por Alemanha e Bélgica obteve veto duplo de China e Rússia, o segundo em três dias, demonstrando a profunda divisão no Conselho de Segurança.

O dispositivo transfronteiriço da ONU, que existe desde 2014, permite levar ajuda humanitária aos sírios sem necessidade da aprovação de Damasco e expira esta noite.

A Rússia argumenta que mais de 85% da ajuda entregue à Síria passa por Bab al-Hawa e que, portanto, o outro acesso poderia ser fechado.

Em janeiro, a Rússia, maior aliada da Síria, já havia reduzido o número de pontos de entrada para esse país de quatro para dois e limitava a autorização para seis meses, em vez do acordo anual que havia até então.

A última proposta russa, obtida pela AFP, pretendia manter apenas o acesso a Bab al Hawa. Entretanto, Moscou agora ofereceu estender a autorização de ajuda transfronteiriça por um ano, ao invés dos seis meses que desejava.

O Conselho de Segurança já fez cinco votações sobre esta questão sem chegar a um compromisso.

Na sexta-feira, a Alemanha e a Bélgica apresentaram um novo projeto de resolução ao Conselho, que planeja manter o ponto de entrada de Bab al Hawa por um ano e o ponto de entrada de Bab al Salam por apenas três meses, informaram diplomatas.

Os dois Estados, membros não permanentes do Conselho e responsáveis pelo aspecto humanitário da crise síria na ONU, podem pedir ao grupo que vote, já que o texto russo fracassou.

Desde o início da guerra na Síria em 2011, a Rússia vetou resoluções sobre o país árabe 16 vezes, e a China fez 10 vezes.

Rússia e China argumentam que a autorização da ONU viola a soberania da Síria e que a ajuda poderia ser canalizada de forma progressiva, por meio das autoridades sírias, à medida que estas recuperassem o controle dos territórios.

A ONG Oxfam advertiu que deter a ajuda transfronteiriça representa "um golpe devastador para milhões de famílias sírias que dependem dessa assistência para receber água potável, alimentos, atendimento de saúde e abrigo".

David Miliband, presidente da ONG International Rescue Committee, denunciou em comunicado "um dia negro" para os sírios com o novo veto da Rússia e China, que classificou de "vergonha".

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