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Todos os policiais envolvidos no caso Paraisópolis serão retirados das ruas

PMs envolvidos no caso de Paraisópolis já prestaram depoimento - Ronaldo Silva - 1º.dez.2019/Futura Press/Estadão Conteúdo
PMs envolvidos no caso de Paraisópolis já prestaram depoimento Imagem: Ronaldo Silva - 1º.dez.2019/Futura Press/Estadão Conteúdo
do UOL

Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo

09/12/2019 20h58Atualizada em 10/12/2019 13h53

Resumo da notícia

  • Os 38 policiais que atuaram em Paraisópolis serão retirados das ruas
  • Até o momento, apenas seis haviam sido realocados para atividades administrativas
  • Na madrugada de 1º de dezembro, nove pessoas morreram em baile

Os 38 policiais militares envolvidos na ocorrência que resultou nas mortes de nove frequentadores do baile da DZ7, em Paraisópolis, serão afastados de funções de policiamento e colocados em atividades administrativas. A informação foi confirmada pela defensora pública Ana Carolina Schwan.

Até o momento, apenas seis policiais haviam sido afastados de suas atividades. Entretanto, os familiares exigiam o afastamento de todos os 38 policiais que estiveram em Paraisópolis na madrugada de 1º de dezembro.

Hoje, foi realizada a segunda reunião do governador João Doria (PSDB) com os familiares das vítimas. Schwan acompanhou o encontro. Na primeira reunião, realizada no último dia 4, o governo anunciou a criação de uma comissão externa para acompanhar o caso.

Familiares ouvidos pelo UOL após a reunião disseram que o ponto positivo do encontro foi a decisão de Doria de afastar todos os 38 policiais envolvidos com a ocorrência. A decisão, disseram, trouxe alívio às famílias.

Segundo a procuradora-geral do estado, Lia Porto Corona, a prioridade das famílias é com a transparência nas investigações, respeito ao luto dos familiares das vítimas e providências para que a situação mude. "O estado está desenvolvendo programas para atender as necessidades da comunidade", disse. Outra demanda dos familiares é por atendimento psicológico, afirmou a procuradora.

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Indenização não é tabu

Segundo a procuradora, as famílias não estão pleiteando indenizações, no momento, "mas futuramente há espaço para essa discussão". De acordo com a procuradora, que coordena a atuação da defesa dos interesses do estado de São Paulo na Justiça, "indenização nem sempre é devida por culpa e não está descartada, mas a análise será feita caso a caso".

Segundo fontes ligadas às famílias, o assunto indenização já começou a ser ventilado pelo governo do estado desde a primeira reunião, apesar de as famílias não estarem pensando no assunto.

Na primeira reunião, por exemplo, foi dito que o caso de Suzano (SP), no qual indenizações de R$ 100 mil foram pagas às famílias dos estudantes assassinados, foi "paradigmático".

Lia Corona ressaltou, contudo, que a prioridade das famílias segue sendo Justiça ao final do inquérito.

Demandas legítimas

A secretária de Desenvolvimento Social, Célia Parnes, afirmou que é muito importante e relevante ouvir a comunidade. Antes da segunda reunião com as famílias das vítimas, o governador e secretários estaduais e municipais estiveram em Paraisópolis.

Segundo a secretária, o estado pretende organizar com o município uma série de entregas de curto e médio prazo. Ela não adiantou que entregas seriam essas, mas disse que as demandas dos moradores por melhorias são legítimas.

Parnes disse que Paraisópolis tem demandas de infraestrutura, meio ambiente, sociais e de segurança pública.

Participaram da reunião com os familiares das vítimas, o governador João Dória, secretários de Estado, a Procuradoria Geral do Estado, o Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), a Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP e a Defensoria Pública.

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Mudança real

Antes da reunião, familiares das vítimas de Paraisópolis ouvidas pelo UOL disseram esperar que as reuniões com o governo tragam resultado efetivo.

"Esperamos que não fique só na retórica. Que seja um divisor de águas e que o tratamento da polícia com as pessoas seja mais respeitoso, que os jovens que curtem o funk não sejam marginalizados como vinham sendo. Que as coisas mudem, ao menos para as gerações futuras", disse o analista de sistemas Marcos Alquezare, tio da vítima Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16.

"O baile é um movimento social que não pode ser ignorado e ocorria sem ingerência e cuidado da prefeitura e do estado. Vamos dar para a maioria pobre a mesma estrutura que o Estado e a prefeitura dão para o Lollapalooza", disse o familiar.

"Precisa de muita mudança por parte da polícia. Nossos filhos não foram tratados como seres humanos", afirmou Reinaldo Gabriel de Moraes, pai da vítima Gabriel Rogério de Moraes.

Tanto Gabriel quanto Marcos foram de longe para o baile. Gabriel era de Mogi das Cruzes e foi com um amigo que estava fazendo aniversário. Já Marcos Paulo saiu do Jaraguá com um primo e mais quatro amigos.

"Meu sobrinho Anderson sobreviveu. Saiu bastante machucado, cheio de hematomas e está traumatizado", disse Alquezare.

Ao final da reunião, assessores do Palácio dos Bandeirantes, disseram aos jornalistas que as famílias não queriam imagens da reunião nem dar entrevistas, pois queriam ser preservadas. As famílias e entidades de direitos humanos, porém, negam essa versão e contaram à reportagem que estavam esperando os jornalistas na sala onde ocorreu a reunião.

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