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Universidade vira campo de batalha em Hong Kong

17/11/2019 07h35

Agentes de segurança entram em confronto com manifestantes ao tentar desocupar campus. Policial é atingido por flecha em meio a algumas das cenas mais dramáticas dos cinco meses de protestos pró-democracia.Numa escalada de violência nos protestos pró-democracia em Hong Kong que já duram mais de cinco meses, o campus da Universidade Politécnica foi palco de um confronto entre manifestantes e forças de segurança neste domingo (17/11). O conflito ocorreu quando policiais tentavam desocupar o local.

A polícia usou canhões de jatos d'água de colorida e gás lacrimogêneo para tentar afastar os manifestantes que ocuparam a universidade e ruas próximas ao local. Barricados no campus, os manifestantes se protegeram atrás de paredes de guarda-chuvas e responderam ao avanço das forças de segurança com bombas incendiárias e flechas disparadas dos telhados.

Em meio a algumas das cenas mais dramáticas dos cinco meses de protestos na região controlada pela China, um policial ficou ferido ao ter a perna atingida por uma flecha. Ele foi levado para um hospital. Árvores e arbustos atingidos por bombas disparadas por manifestantes pegaram fogo.

Enormes incêndios iluminaram o céu da universidade localizada no coração do distrito de Kowloon durante a madrugada. Depois de algumas horas de trégua, enquanto os manifestantes dormiam nos gramados do campus ou na biblioteca, o confronto reacendeu pela manhã de domingo, quando a polícia voltou a disparar bombas de gás lacrimogêneo contra o grupo.

Muitos manifestantes se retiraram para o interior do campus, onde bloquearam entradas e montaram pontos de controle de acesso. Partes do campus pareciam mais uma fortaleza, com barricadas e manifestantes patrulhando muralhas improvisadas segurando tijolos, além de arcos e flechas.

"Não temos medo. Se não continuarmos, vamos falhar. Então, por que não ir com tudo", afirmou um estudante, que preferiu não se identificar.

Os manifestantes, que ocuparam várias universidades durante a semana passada, recuaram quase por completo, permanecendo apenas no campus da Universidade Politécnica. O grupo também bloqueia o acesso a um dos três principais túneis rodoviários que ligam a Ilha de Hong Kong ao resto da cidade.

No sábado, soldados chineses, vestindo shorts e camisetas, deixaram os quarteis, numa rara aparição pública, para se juntar a voluntários que limpavam os entulhos que bloqueavam as principais estradas. Houve incidentes dispersos de manifestantes discutindo e confrontando as pessoas que limpavam estradas.

Legisladores da oposição emitiram uma declaração na qual criticam os militares chineses por se juntarem às operações de limpeza. Os militares têm permissão para ajudar a manter a ordem pública, mas apenas a pedido do Governo de Hong Kong, que alegou não ter solicitado assistência militar, descrevendo-a como uma atividade voluntária da comunidade.

Quando a violência eclodiu no domingo, soldados chineses numa base próxima à universidade foram vistos monitorando a situação com binóculos. Alguns vestiam equipamentos utilizados em confrontos.

O Departamento de Educação anunciou ainda que as aulas do jardim de infância até o ensino médio foram novamente suspensas na segunda-feira, devido a preocupações com a segurança. Desde quinta-feira, as aulas no território estão sendo suspensas.

O centro financeiro asiático foi abalado por uma série de protestos, impulsionados por cidadãos irritados com o controle exercido pelo Partido Comunista Chinês na ex-colônia britânica, que foi devolvida pelo Reino Unido para a China em 1997.

O processo de retorno foi firmado num acordo, em 1984, no qual os chineses se comprometeram a implementar o chamado modelo "um país, dois sistemas", que previa a manutenção dos sistemas econômico e social vigentes e um elevado grau de autonomia (exceto em questões de defesa e relações externas) para o território, por ao menos 50 anos.

Desde então, Hong Kong tem o status de região administrativa especial da China, com uma legislação própria que garante, por exemplo, as liberdades de expressão e de reunião e que permite que o território continue sendo um importante centro financeiro e comercial.

Apesar da autonomia, os chineses têm a palavra final em Hong Kong, e a oposição reclama principalmente de uma excessiva interferência chinesa, afirmando que a China não está cumprindo à risca o que acertou com os britânicos.

A atual onda de protestos, a maior já realizada contra o governo chinês desde 1997, eclodiu quando em junho em oposição a um projeto de lei, já derrubado, que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para a China continental.

Originados pela proposta, os protestos evoluíram, entretanto, para uma campanha a favor da democracia, que tem resultado em violentos confrontos entre manifestantes e a polícia.

CN/lusa/rtr/ap

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