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Greve geral, protestos em massa e forte queda do peso sacodem o Chile

12/11/2019 20h47

Santiago, 12 Nov 2019 (AFP) - Barricadas, manifestações multitudinárias em Santiago e incidentes em várias cidades marcaram a convocação à greve geral nesta terça-feira (12) no Chile, feita por uma centena de organizações sociais para pressionar o governo de Sebastián Piñera a aprofundar as prometidas reformas sociais.

Ao longo do dia, o peso despencou 3,1% e alcançou seu mínimo histórico, de 783,82 um dólar, enquanto a Bolsa de Santiago caiu 1,57% em meio a temores sobre os efeitos na economia da extensão da crise social.

Na primeira hora, barricadas incendiárias impediam a passagem de veículos em alguns acessos a Santiago e uma grande marcha atraiu 80 mil pessoas - segundo cálculos oficiais - para a Avenida Alameda (centro).

Com tambores, bandeiras chilenas e de associações sindicais que aderiram ao protesto - sobretudo de entidades públicas -, os manifestantes se reuniram na Praça Itália, epicentro dos protestos que mantêm o país em vigília há mais de três semanas.

Em seguida, marcharam vários quarteirões até a sede da Central Unitária de Trabalhadores (CUT), passando em frente à sede do governo, onde ao final da manifestação foram registrados confrontos com a Polícia.

"O descontentamento é por muitos temas (...) Tudo o que o presidente ofereceu é insuficiente, uma chacota", diz Karen Delgado, funcionária administrativa de 29 anos, durante a manifestação.

"Peço ao presidente para ouvir o que pedimos e pare de procrastinar com essas medidas remediadoras. Não ouve o povo", acrescentou.

Na cidade de Concepción (sul), manifestantes incendiaram a sede do governo regional e enfrentaram a polícia, enquanto várias lojas foram saqueadas no balneário de Viña del Mar e no porto turístico de Valparaíso (centro).

Depois de serem dispersados do centro de Santiago, milhares de pessoas voltaram a se reunir na Praça Itália, em Santiago, renomeada "Praça da Dignidade" pelos manifestantes, em cujos arredores houve saques a estabelecimentos comerciais.

A convocação à greve geral ocorre mais de três semanas depois do início dos primeiros protestos sociais, convocados pela chamada "Mesa Social", que reúne mais de uma centena de organizações sociais, de funcionários fiscais, professores, trabalhadores da saúde pública, funcionários portuários e aeroportuários.

A Confederação Nacional do Cobre, que reúne trabalhadores terceirizados da mineração, também aderiu à convocação, mas a empresa estatal Codelco, a maior produtora mundial de cobre, operava em normalidade. O Chile é o primeiro produtor mundial do metal, com quase um terço da oferta global, o equivalente a 5,6 milhões de toneladas produzidas por ano.

As escolas públicas aderiram totalmente à convocação e uma grande parte das escolas particulares também, algumas por razões de segurança.

A maioria das universidades não tem atividades desde o início das manifestações.

Nos setores privados, a CUT - a maior multissindical do país - tem pouco apoio, em um país com baixo nível de sindicalização.

Nesta terça-feira, o peso chileno caiu 3,1%, atingindo seu valor mínimo histórico, de 783,82, enquanto a Bolsa de Comércio de Santiago fechou com queda de 1,57% em meio aos temores sobre os efeitos da crise social na economia.

- Reviravolta presidencial -Esta queda de braço ocorre depois de o presidente Sebastián Piñera dar uma reviravolta, ao anunciar o início de um processo para mudar a Constituição herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), embora não com uma Assembleia Constituinte - como pedem os manifestantes e que contemplaria uma participação mais ampla da cidadania - mas a partir de um Congresso Constituinte, cujos detalhes e composição ainda não foram definidos.

"O caminho para o diálogo está aberto, o Governo sempre o disse, todos os atores querem trabalhar na construção de um país com base no diálogo. O presidente já falou da nova Constituição e este é um sinal claro que deveria evitar estes quadros de violência", disse o vice-secretário do Interior, Rodrigo Ubilla, ao divulgar um balanço do dia.

Em declaração pública na tarde desta terça-feira, 14 partidos de oposição exigiram a realização de uma Assembleia Constituinte.

"A proposta de um Congresso Constituinte por parte do governo se afasta da demanda popular por participação e deliberação", declararam no texto o Partido Socialista, o Comunista, a Democracia Cristã e o Partido Radical, além de grupos da esquerda radical.

Em uma tentativa de unir posições, o mandatário se reuniu com os ex-presidentes Eduardo Frei (1994-2000) e Ricardo Lagos (2000-2006) e falou por telefone com a ex-presidente socialista Michelle Bachelet, atual alta comissária dos direitos humanos da ONU.

O governo de Piñera também alcançou um acordo com a oposição política para impulsionar uma reforma tributária que arrecadaria 2 bilhões de dólares, destinados a financiar parte dos anúncios sociais feitos para calar os protestos sociais, e fechou um acordo para aprovar o Orçamento de 2020, incluindo algumas concessões sociais.

Mas os sindicatos exigem reformas mais profundas no sistema previdenciário - também herdado da ditadura - que paga pensões inferiores ao salário mínimo (420 dólares). Também pedem aumentar o orçamento da saúde pública, atendendo assim quase 80% da população chilena, e aumentar o salário mínimo.

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