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Aceleramos o Golf GTE: hatch híbrido anda bem e ainda faz 62,5 km/l

do UOL

João Anacleto

Colaboração para o UOL

11/09/2019 04h00

Donos de carros esportivos talvez sejam os mais arredios ao que a eletricidade tem a prover aos meios de locomoção. No caso os individuais. Poucos acreditam que a propulsão elétrica possa substituir as polegadas cúbicas, a queima de combustível e continuar entregando velocidade e emoção sem ter de trocar a segunda pela primeira, de maneira real mas pouco convincente.

O Golf GTE, que chega em dezembro, é o contraponto disso. Ele entregar desempenho bem próximo do consagrado Golf GTI, com emoção semelhante, e ainda consegue inebriantes 62,5 km/l de consumo, alternando a propulsão híbrida e elétrica. E, de quebra, ainda permite que você carregue as baterias no conforto da sua casa.

204 cv e 35,7 kgfm

Boa parte das pessoas, quando pensa em híbrido, traz à cabeça o Toyota Prius. E sim, o Golf GTE também tem muito desse sistema que regenera a parte elétrica com um conjunto de forças vindas, tanto do motor a combustão, quanto dos freios quando acionados. No GTE há uma terceira via, que fica bem atrás do logo da VW, estilizado com detalhes azuis.

Como é um híbrido plug-in, ele permite carregamento na tomada da sua casa, aterrada e com 220V de tensão, em um tempo de duas horas e 45 minutos para preencher a autonomia de 50 km apenas em modo elétrico. Em cidades como São Paulo, é comum que as pessoas rodem menos do que isso no dia a dia de casa para o trabalho, e esse é o sentido pleno dessa fusão entre carro urbano, híbrido e esportivo.

Sob o capô, a VW o equipou com o 1.4 turbo, o mesmo 250TSI que equipa o VW Jetta nas versões Comfortline e R-Line, por exemplo, que gera 150 cv e 25,5 mkgf de torque. Já o motor elétrico, que também fica acima do eixo dianteiro, gera 104 cv e 35,7 mkgf de torque instantaneamente.

A potência somada é de 204 cv - e não 254 cv, pois os motores não atingem o seu ápice de entrega ao mesmo tempo - e até 35,7 mkgf de torque, que é o mesmo empuxo que se tem no Golf GTI, ou em qualquer outro VW dotado dos motor 2.0 turbo, ou 350TSI.

Outra particularidade fica na hora de trocar marchas. Como a maioria dos carros híbridos segue sem tergiversar o mantra da economia de combustível, boa parte deles traz um câmbio CVT para transmitir as forças. No caso do GTE, não. A transmissão é a mesma DSG de 6 marchas, e dupla embreagem, banhada a óleo que você vê no irmão GTI, mas foi desenvolvida para os carros híbridos e mudou até de nome: passou de MQ350 para EQ400.

O significado da mudança vai além da nomenclatura. A nova transmissão foi feita para suportar até 400 Nm de torque, ou 40,8 kgfm, o que dá a entender que esse sistema ainda vai evoluir, tanto em potência quanto em torque.

O Golf GTE avaliado é uma unidade de 2015, que ainda não traz na carroceria os retorques da reestilização de meia-vida promovida pela VW em 2018. O carro que estará disponível em dezembro, por um preço próximo dos R$ 200 mil, trará novos faróis, para-choques e assinaturas de leds nas lanternas traseiras.

Por dentro, mudarão o painel, que ganha o Virtual Cockpit com instrumentos digitais, e a central multimídia, que receberá o Discover Media NAV, o mesmo que equipa Passat e Tiguan R-Line.

5 modos de condução

A bordo a sensação é de se estar em um GTI que fez mestrado com o Greenpeace. Em vez dos grafismos vermelhos entremeando o xadrez Clark, é o azul de domina o ambiente - não à toa, afinal a VW tem um manual de como economizar combustível, com um contador de pontos pela sua atuação ao volante chamado Think Blue. Botão de partida acionado e... nada. É o elétrico que está ali, gerando todas as funções do Golf e tirando-o da inércia. Silenciosamente.

Antes de acelerar, você pode escolher cinco modos de condução. Quando ele liga está no modo híbrido completo, ou seja, adapta automaticamente o quanto vai usar de cada fonte de energia para entregar o melhor para você. E foi assim que a VW conseguiu, no ciclo de consumo europeu, chegar aos 62,5 km/l de gasolina. Caso esteja com o pé leve, ele tenta usar o máximo possível da propulsão elétrica, e pode chegar a até 130 km/h assim.

Com essas mesmas premissas, você pode acionar a tecla GTE, onde motores a combustão elétricos ficam a postos para dispor do máximo de suas forças. Assim, consegue ir de 0 a 100 km/h em apenas 7,6 segundos, segundo a VW, ou 0,6 s mais lento que o Golf GTI.

Pode-se usar, também, o modo totalmente elétrico, desde que você não pise demais o acelerador. Caso isso ocorra o motor a combustão entra no jogo naturalmente. Pela função battery hold, você fica apenas com o modo a combustão.

Ele serve para a preservação da bateria caso você esteja em uma estrada e queira usar a economia do carro elétrico para quando estiver em trechos urbanos. E caso você não tenha carregado a parte elétrica em casa, ele conta com uma função que obriga o motor 1.4 turbo a, além de propulsionar o conjunto, pega parte da sua força para recarregar a bateria. O que aumenta bem o consumo. Nessas condições, não passamos de 8,2 km/l de gasolina.

Apesar dos 120 kg extras no peso total do carro, em virtude das baterias que ficam no assoalho, não é possível perceber alguma lentidão no comportamento do Golf, em especial na cidade. Direção e suspensão seguem o mesmo parâmetro, com a dureza habitual de um hatch esportivo, mas sem incômodos além dos já conhecidos.

Estratégia

A VW garante que até 2023 terá uma verdadeira frota elétrica nas concessionárias. O Golf GTE abre caminho para mais cinco lançamentos, em sua maioria 100% elétricos, como o e-Golf que deu as caras no Salão do Automóvel de 2018.

Com isso, especula-se que o Golf GTI como você sempre conheceu deve dar adeus às instalações da marca em São José dos Pinhais, PR, que já teve a produção paralisada para dar o máximo de espaço possível para a fabricação do VW T-Cross, grande aposta da marca para o Brasil em 2018.

Assim, a linha Golf seria 100% importada (o que não impede de que a marca também ofereça o Golf GTI europeu a partir do ano que vem) como faz com o Passat, lembrando que o sedã também deve ganhar sua versão GTE em 2020 no Brasil. Na Alemanha, o Golf GTE parte de 36.900 euros, e deve chegar por aqui com preço na casa dos R$ 200 mil.

É o mesmo valor do novo Golf GTI performance, com 245 cv. Já o e-Golf, 100% elétrico, custa a partir de 31.600 euros e poderia estrear na linha VW com preço na casa dos R$ 170 mil. O duro é convencer você, que deva pagar tanto em um carro que não seja um SUV.

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Errata: o texto foi atualizado
Foi publicado originalmente, no segundo parágrafo, que o Volkswagen Golf GTE altera a propulsão híbrida e elétrica. O termo correto é alterna. O erro já foi corrigido.

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