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Trump pode se reeleger, mas tem motivos para se preocupar

Sahil Kapur

20/08/2019 13h44

(Bloomberg) -- Apesar da enxurrada de pesquisas de intenção de voto mostrando que o presidente americano, Donald Trump, perderia para rivais do Partido Democrata, sua reeleição não está descartada. No entanto, ele é vulnerável nos dois fatores de predição mais importantes: taxa de aprovação e situação econômica.

O índice de aprovação de Trump foi 43% em duas novas sondagens realizadas por NBC/Wall Street Journal e Fox News. Apesar do baixo desemprego e das bolsas batendo recordes, a taxa se manteve na faixa de 40% durante todo o mandato dele.

Com base na história recente, é uma posição perigosa. Na véspera de serem reeleitos, Barack Obama, George W. Bush e Bill Clinton tinham a aprovação da maioria, segundo pesquisas da Gallup. Pior, o estilo agressivo e polarizador de Trump cimentou uma reprovação elevada e resta pouco espaço para ele crescer.

Ainda assim, Trump tem chance de vencer em novembro de 2020. Ele está levantando mais dinheiro para a campanha do que qualquer candidato democrata e tem a retaguarda do Partido Republicano, que retrata seus oponentes como radicais com pouco entendimento da realidade da população. Sua vantagem geográfica (dentro do sistema americano, baseado em colégios eleitorais) é tamanha que ele poderia receber 5 milhões de votos a menos do que o rival e mesmo assim ganhar, segundo um estudo.

Armadilha na economia

A incerteza mais relevante para a perspectiva de reeleição de Trump é a economia. Desde a Segunda Guerra Mundial, só não emplacaram um segundo mandato os presidentes que enfrentavam uma recessão perto do dia da eleição: George H.W. Bush, em 1992, e Jimmy Carter, em 1980.

A economia dos EUA mostrou sinais preocupantes nos últimos dias, com indícios de possível recessão adiante, embora economistas sondados pela Bloomberg News estimem apenas 35% de chance de uma recessão chegar ao longo do próximo ano. O nível de confiança entre eleitores independentes e republicanos caiu neste mês, de acordo com o Índice de Sentimento do Consumidor da Universidade de Michigan, que atingiu sua segunda menor pontuação geral desde antes da eleição de 2016.

Alguns aliados de Trump explicam que sua posição é única. "A taxa de aprovação dele é a estatística mais estática da política. Nada que ele faz muda isso. É uma linha reta", disse o estrategista republicano Brad Todd. "Sua taxa de aprovação é determinada pelo fato de as pessoas enxergarem nele um freio contra a política tradicional e aceitarem o que não gostam nele."

Pesquisas sugerem que Trump tem um ativo na expansão da economia. O levantamento NBC/Wall Street Journal concluiu que 49% dos adultos dos EUA aprovam a forma que ele conduz a economia, 5 pontos acima de sua taxa de aprovação geral. Uma pesquisa Economist/YouGov apurou que 47% aprovam a condução da economia pelo presidente, 6 pontos acima do índice de aprovação.

A visão sobre Trump é negativa em outras áreas, como saúde, imigração, acesso a armas e aborto, e em termos de honestidade e estabilidade. A pesquisa Fox News mostrou que o presidente seria derrotado por todos os quatro favoritos à chapa democrata ? Joe Biden, Elizabeth Warren, Bernie Sanders e Kamala Harris ? com desvantagem de 6 a 12 pontos.

A porta-voz da campanha pela reeleição, Sarah Matthews, acusou os críticos de "torcer ativamente por uma recessão apenas para deter o presidente Trump", mas acrescentou que a economia americana vai muito bem graças às medidas dele e atacou "as políticas socialistas de Estado grande e destruição de empregos dos democratas".

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