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Após discurso "outsider", 10 deputados do PSL disputarão prefeituras no RJ

O presidente estadual do PSL, Flávio Bolsonaro, se reuniu com a bancada eleita do partido para a Alerj em janeiro - Reprodução/Twitter
O presidente estadual do PSL, Flávio Bolsonaro, se reuniu com a bancada eleita do partido para a Alerj em janeiro Imagem: Reprodução/Twitter
do UOL

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

18/07/2019 04h00

O PSL, partido do presidente da República Jair Bolsonaro, planeja uma frente de ao menos dez candidatos a prefeituras em diferentes regiões do Rio de Janeiro nas eleições do ano que vem, de acordo com integrantes de sua Executiva Nacional. Os pré-candidatos são deputados estaduais e federais eleitos no ano passado na "onda Bolsonaro" e sob a bandeira de não serem "políticos profissionais".

A eleição municipal será uma espécie de "prova' de fogo" para que o partido meça a sua popularidade --cujo pico foi atingido na eleição de Bolsonaro e já mostra sinais de desgaste, segundo pesquisas de opinião. As eleições municipais também são um passo importante tendo em vista as eleições presidenciais de 2022, que Bolsonaro já sinalizou que pode concorrer.

Na semana passada, a legenda anunciou três pré-candidatos e jogou luz sobre o fato de nomes empossados há pouco mais de cinco meses na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) como outsiders --candidatos debutantes, de fora do chamado "círculo da velha política"-- já planejarem voos longe do Legislativo.

Além dos já anunciados deputado estadual Rodrigo Amorim, que será candidato à prefeitura da capital fluminense, a deputada estadual Alana Passos, que vai concorrer em Queimados, e o deputado estadual Dr. Serginho, que tentará o cargo em Cabo Frio, o PSL deve anunciar o deputado estadual Gil Vianna como pré-candidato em Campos dos Goytacazes e o deputado estadual Marcelo do Seu Dino em Duque de Caxias.

O deputado estadual Filippe Poubel já fala como pré-candidato em Maricá --cidade considerada estratégica para o partido no Rio por ser conhecida como "o último reduto petista do estado".

"Sou pré-candidato, sim, apesar de ainda não anunciado. Estou indo acabar com os 'filhos de Lula' da minha cidade", disse ele, que foi eleito em 2016 em Maricá. De acordo com o parlamentar, a pré-candidatura dele é apoiada pelo presidente estadual do PSL, o senador Flávio Bolsonaro (RJ).

Dessa forma, até agora ao menos seis deputados estaduais eleitos pelo PSL devem concorrer às eleições municipais do ano que vem, deixando seus mandatos nas mãos de suplentes. O número equivale a metade da bancada do partido, composta por 12 parlamentares, que é a maior da Alerj.

Deputados federais completam a lista

De acordo com integrantes do partido ouvidos pela reportagem, o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, conta com outros quatro deputados federais que se licenciariam da Câmara dos Deputados para compor a frente de candidaturas: o delegado Felício Laterça deve ser candidato em Macaé, enquanto Professor Joziel deve se lançar em São João de Meriti.

O deputado federal Carlos Jordy, eleito vereador em Niterói em 2016, confirma que deve concorrer ao Executivo municipal da cidade.

"Sou um soldado. Acato qualquer decisão do meu presidente Jair Bolsonaro. Já conversei com o Flávio Bolsonaro que me quer concorrendo, sim. O PSL precisa de uma candidatura sólida em Niterói e eu fui o mais votado da cidade na última eleição. Queremos, sim, eleger prefeitos e vereadores no ano que vem", afirma.

Já o deputado federal delegado Antônio Furtado, nome tido como certo para a disputa em Volta Redonda, confirma a possibilidade, mas diz que ainda está focado nos seus trabalhos na Câmara Federal.

"É natural que as lideranças do PSL estejam analisando possibilidades políticas e candidaturas para as eleições do ano que vem. Estou focado no meu mandato como deputado federal", desconversa.

Os demais deputados citados na reportagem não foram localizados.

Dos dez parlamentares do PSL que já cogitam concorrer às eleições municipais no Rio, Poubel e Jordy já haviam sido eleitos, ambos vereadores em 2016, e Gil Vianna assumiu mandato na Alerj em 2017 como suplente. Os demais foram eleitos no ano passado para seus primeiros mandatos.

Outsiders alçando novos voos

Após campanha marcada por discurso avesso ao que chamavam "políticos profissionais", os parlamentares já pensam em ocupar outros cargos poucos meses depois de empossados. Na opinião do cientista político Paulo Baía, a movimentação não representa surpresa.

Para o professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), as candidaturas, muitas vezes, refletem a vontade do partido. "Este é um projeto partidário, um projeto de poder. Alguns desses deputados são desconhecidos em nível nacional, mas conhecidos em seus redutos."

O PSL tem um projeto de poder para 2022 e, nisso, não está fugindo à antiga tática de lançar candidatos para fortalecer a sigla, o corpo partidário. O PSL, de fato, tem números expressivos, mas falta corpo político.

Paulo Baía, cientista político

Questionado em relação à última pesquisa Datafolha sobre popularidade do governo de Bolsonaro, que o aponta como o chefe do Executivo em primeiro mandato com a pior avaliação desde Fernando Collor de Mello em 1990, o cientista político disse acreditar que esse índice não deve ser decisivo.

"Bolsonaro segue com seu núcleo básico de votos praticamente intacto, apesar das variações nos números totais. Mas a eleição para prefeito tem uma característica: cada cidade tem as suas variáveis, como o fato de um candidato estar concorrendo à reeleição, o fator religioso, os redutos eleitorais. Bolsonaro ainda é um grande eleitor, sobretudo no Sul e Sudeste. Se vai conseguir eleger prefeitos e vereadores? Só o tempo vai dizer."

Questionado sobre o tom da campanha bolsonarista avesso à chamada política tradicional, Poubel disse que sua pré-candidatura referenda compromisso com a sociedade. "O que isso mostra? Que temos vontade de trabalhar, não estamos no comodismo", afirmou.

Jordy segue a mesma linha. "Acredito que não há problema, se é desejo do eleitor, qual o problema disto? A população já mostrou que quer uma renovação política. Qual o problema dessas cidades escolherem esses nomes seus representantes? É uma avaliação do povo e dos políticos. Desde que estejam migrando de cargo para melhorar, não vejo questionamentos", conclui.

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