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Sem candidatos, eleições presidenciais da Argélia devem ser adiadas

2019-05-26T21:58:00

26/05/2019 21h58

Argel, 26 mai (EFE).- O prazo para a apresentação de candidaturas para as eleições presidenciais da Argélia terminou neste domingo e, sem candidatos, o pleito inicialmente previsto para o dia 4 de julho deve ser adiado para uma data que ainda não está definida.

Segundo o jornal "Tout sur l'Algerie", nenhum dos políticos que tinha manifestado intenção de disputar as eleições conseguiu reunir as 60 mil assinaturas exigidas pelo Conselho Constitucional para registrá-los como candidatos dentro do prazo estabelecido.

Além disso, Belkacem Sahli, líder do ANR, e Abdulaziz Belaid, presidente da Frente al Moustaqbal, representantes de dois partidos minoritários que cogitavam participar do pleito, desistiram de concorrer no sábado.

Ambos alegaram não haver garantias necessárias para que suas candidaturas fossem analisadas de forma justa.

A expectativa é que o Conselho Constitucional cancele nas próximas horas o pleito, convocado no último dia 9 de abril após a renúncia do presidente Abdelaziz Bouteflika, forçado a deixar o poder pelos protestos que tomam as ruas do país desde fevereiro e pela pressão do comandante do Exército, general Ahmed Gaid Salah.

O militar, que se tornou o homem mais poderoso do país desde a queda do ex-presidente, é o principal defensor de uma transição eleitoral convocada pelo presidente do Senado, Abdelkader Bensalha, que governa o país de forma interina. A oposição critica o processo.

"Sem candidatos, a eleição presidencial é adiada automaticamente. Nem o Conselho Constitucional nem o presidente interino podem adiar a eleição, explicou Fatiha Benabbou, jurista e especialista em Direito Constitucional.

"O Conselho só pode declarar que não há candidatos. Por isso a necessidade da declaração. Nenhum texto previu essa situação, completou.

De qualquer forma, a falta de candidatos deve levar à Argélia a um novo período de incerteza política. EFE

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