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Pesquisadores em teologia criticam proposta de Bolsonaro para humanas

25.abr.2019 - O ministro da Educação, Abraham Weintraub (primeiro à esquerda), durante a live do presidente Jair Bolsonaro - Reprodução
25.abr.2019 - O ministro da Educação, Abraham Weintraub (primeiro à esquerda), durante a live do presidente Jair Bolsonaro Imagem: Reprodução
do UOL

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

27/04/2019 13h09

A Anptecre (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Teologia e Ciências da Religião) divulgou hoje uma nota contra a proposta do governo Jair Bolsonaro de reduzir o investimento para áreas de humanas, em especial para faculdades de filosofia e sociologia.

A associação, que reúne mais de 300 pesquisadores em teologia e ciências da religião, defende que a investigação em humanidades "colabora de maneira fundamental para o desenvolvimento da nação, em especial para o campo da educação e da formação de visão crítica sobre a sociedade e suas estruturas".

"Continuamos afirmando que o futuro de nosso país exige de todos um compromisso responsável e incentivo à pluralidade de ideias, a liberdade de pensamento, a autonomia das ciências humanas e sociais. Tratar a educação a partir de premissas ideológicas não colaborará a encarar os grandes desafios que precisam ser vencidos"

Anptecre (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Teologia e Ciências da Religião)

A proposta de reduzir o investimento em cursos de filosofia e sociologia foi anunciada na noite de quinta-feira (25) pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, em uma transmissão ao vivo nas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro (PSL). A medida foi, então, reforçada por publicações no Twitter do presidente na manhã de ontem.

O objetivo, segundo Bolsonaro, seria "focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como veterinária, engenharia e medicina". Para especialistas consultados pelo UOL, a proposta fere a Constituição.

Associações ligadas à filosofia e às ciências sociais, junto de outras entidades que representam setores da educação, criticaram a proposta. As falas de Weintraub e de Bolsonaro foram classificadas pelas entidades como uma "demonstração do mais completo desconhecimento sobre a ciência e sobre a produção do conhecimento científico".

Também em nota, a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), que representa mais de 6 mil cientistas, manifestou-se contra a medida.

"As Ciências Humanas e Sociais não são ideologias (...). Elas trabalham com metodologias científicas específicas, que incluem o levantamento cuidadoso de dados com o uso de questionários, entrevistas, análise de documentos e observações no campo de estudo, e suas conclusões estão baseadas em evidências", disse a associação.

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